quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Espaço da Ciência - Festa do Avante! 2007

Espaço da Ciência
Estradas, carris e GPS

Agora num espaço próprio junto ao lago, o Espaço da Ciência foi, este ano, dedicado aos transportes terrestres. Partilhado o espaço, era também comum o tema da Física e Astronomia. À entrada do pavilhão, era frequente ver o astrónomo Máximo Ferreira rodeado de curiosos a explicar o contributo das estrelas para os transportes.

Atrás, em painéis, explicava-se que a observação das estrelas pode guiar as pessoas nas suas deslocações. Foi isso mesmo que aprenderam a fazer os fenícios em 1100 a.C., quando utilizaram as estrelas para governar os barcos durante a noite. Foi isso mesmo que aprenderam vários outros povos antigos, que usaram o Sol e as estrelas para se orientarem e a partir daqui puderam definir os quatro pontos cardeais – norte, sul, este e oeste. Depois surgiu a bússola, por invenção chinesa. Conhecendo o norte magnético passou a ser possível seguir direcções bem precisas.

Mais recentemente, surgiu o GPS que dá as coordenadas de qualquer lugar da Terra através de um receptor. Este sistema recorre-se de 24 satélites artificiais, quatro dos quais sempre visíveis em qualquer lugar da terra. Em breve, o Galileu (versão europeia do norte-americano GPS) será instalado no espaço, com a promessa de corrigir a actual margem de erro do GPS de 20 para 7 metros.

Saindo da astronomia, entrava-se na Física. E a aprendizagem prosseguiu. Com o auxílio dos jovens do Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico era possível observar, experimentar e perceber o funcionamento de importantes máquinas e inventos. Lendo os painéis e ouvindo os jovens físicos, soubemos que a máquina a vapor é semelhante a uma chaleira com água a ferver (em escalas e com aproveitamentos diferentes, claro está) e que o armazenamento é a grande questão ao quando se fala de energia solar e que este pode ser feito com recurso (não só mas também) à água.

A roda e os traseiros de cavalo

Deixando para trás a Física e a Astronomia, entramos na exposição dedicada especificamente aos transportes terrestres, «da Roda ao TGV». Em estantes, com o aviso de «não mexer» podem observar-se pequenas reproduções de motores e automóveis, deixando claro o tremendo desenvolvimento tecnológico verificado neste sector não só nas últimas décadas, como desde a invenção da roda, em 3500 a.C.

A tecnologia avançou muito, é certo. Mas ainda hoje estamos condicionados a invenções que remontam à antiguidade. Ao inventarem os carros, os romanos fizeram-no com uma medida que permitisse acomodar dois traseiros de cavalo. Na Inglaterra da Revolução Industrial, nasceu o comboio, a partir dos carris que utilizavam carros cuja medida era… dois traseiros de cavalo.

Mas não ficamos por aqui: o vai-e-vem espacial norte-americano, o famoso Space Shuttle, utiliza dois tanques de combustível que foram projectados por engenheiros de Utah. O seu desejo era construí-los mais largos, mas existia uma limitação objectiva: a largura dos túneis ferroviários por onde iam ser transportados. Resumindo, como se lia num painel da exposição, «o exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia foi condicionado pelas dimensões do traseiro dos cavalos romanos». Sempre a aprender.

O desenvolvimento foi rápido, demonstrou-se na exposição. Se em 1880 ainda não havia automóvel, oitenta anos mais tarde, havia já 95 milhões, todos movidos por motores de combustão interna – ou seja, mais rápidos, leves e potentes do que as velhas máquinas a vapor. O primeiro automóvel a chegar a Portugal foi um Panhard-Levassor, importado pelo Conde de Avilez em 1895.

Transportes e política de transportes

Ao falarmos de ciência não podemos falar apenas de ciência. Frequentemente, colocam-se-nos algumas questões como «a quem serve o desenvolvimento tecnológico?» ou «porque razão existem ainda milhões de pessoas privadas de transporte e de infra-estruturas básicas?».

Na exposição e nos debates do Espaço da Ciência da Festa do Avante! fizeram-se estas e outras perguntas e avançaram-se sugestões de respostas. Num painel da exposição, lembrava-se as conclusões do XVII Congresso do Partido acerca do sector, destacando os desastrosos resultados das «políticas e medidas sujeitas ao objectivo de total privatização e liberalização do sector e total subordinação aos interesses do grande capital».

As consequências para a saúde pública da utilização dos combustíveis fósseis também foram afiançadas na exposição. Num dos painéis enumerava-se as matérias poluentes e explicitava-se os seus efeitos.

No auditório de debates do Espaço da Ciência, foram debatidos estes e outros temas. O professor Manuel Tão, o engenheiro Rego Mendes e José Fonseca debateram «os transportes terrestres e os avanços tecnológicos», enquanto que Ana Maria Silva e Alice Figueira debruçaram-se sobre os impactes destes avanços na poesia, num debate intitulado «Poesia sobre rodas».

«Transportes terrestres e poluição, uma questão de saúde pública» foi o tema de outra sessão, que contou com a participação dos professores Luís Vicente, Silva Santos e Anabela Silva. A política nacional de transportes e a alternativa que o PCP propõe esteve em discussão. Participaram Amável Alves, da CGTP-IN, o deputado do PCP Bruno Dias, e Eduardo Vieira, responsável pelo sector de transportes da Direcção da Organização Regional de Lisboa do Partido. O futuro dos transportes terrestres no que respeita à energia foi o tema abordado pelo engenheiro Carlos Carvalho, pelo professor Rui Namorado Rosa e pela economista Sílvia Silva.

O astrónomo Máximo Ferreira e a professora Lurdes Silva falaram sobre o «ano internacional da Heliofísica» que se comemora em 2007.

«Teatro sobre rodas» foi o tema do apontamento teatral dirigido por Célia Silva. As crianças também tinham o seu espaço, onde podiam aprender, jogar e desenhar acerca dos transportes e das regras de segurança.

texto retirado do jornal Avante!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Momentos que ficam



Renata e Miguel - Voluntários do Espaço Ciência na Festa do Avante! 2007


Momentos que ficam



Ana - Voluntária do Espaço da Ciência - Zona da Criança - Festa do Avante! 2007


Momentos que ficam



Cláudia - Visitante do Espaço Ciência da Festa do Avante! 2007


domingo, 9 de setembro de 2007

Terceiro dia da Festa do Avante!



Vídeo do terceiro e último dia da Festa do Avante!

sábado, 8 de setembro de 2007

Segundo dia da Festa do Avante!



Vídeo do segundo dia da Festa do Avante!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Primeiro dia da Festa do Avante!



Vídeo do primeiro dia da Festa do Avante!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

sábado, 25 de agosto de 2007

O Espaço Ciência já não é só papel... está a ganhar forma!

Vista da entrada do Espaço da Ciência.














Vindo do Palco 25 de Abril, descendo em direcção ao lago.

Vista oposta















Vindo do Palco 1.º Maio.


Próximos passos da construção do Espaço da Ciência:

- Colocação das paredes de madeira (internas e externas);
- Instalação eléctrica;
- Sistema de água;
- Pintura das paredes;
- Montagem da exposição.

E o mais importante... receber os visitantes da Festa do Avante!.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Ciência sobre Rodas

A Festa em construção
Espaço Ciência realça transportes terrestres


O Espaço da Ciência na Festa do Avante!, agora situado ao pé do lago juntamente com a Astronomia, incidirá este ano sobre os transportes terrestres, «da roda ao TGV». Em destaque estarão os avanços científicos e tecnológicos neste sector, bem como os seus impactos no meio ambiente e nas formas de vida das populações.



De todos os inventos do homem, poucos terão sido tão importantes como a roda para o desenvolvimento técnico e científico – mas também económico e social – da humanidade. A partir do invento da roda – na Mesopotâmia, algures por volta de 3500 a.c. – os homens passaram a deslocar-se com maior rapidez entre distâncias cada vez maiores e com a capacidade de transportar não só pessoas como carga e mercadorias.

Atrás desta invenção – a «mãe» de todas as invenções do homem – vieram as estradas, os caminhos e os veículos, cada vez mais sofisticados e poderosos. Na Mesopotâmia, as estradas serviam inicialmente para facilitar o transporte de comerciantes entre aldeias, vilas ou cidades. Neste local nasceram também os primeiros veículos de quatro rodas, puxados por animais. Na Suméria, mil anos depois da invenção da roda situar-se-á o aparecimento do primeiro carro de duas rodas, mais rápido e ágil para ser utilizado na guerra.

Pela mesma altura, mas no Egipto, surge a primeira estrada de pedra, de um quilómetro. A roda raiada, o carro de corrida ou os carros de um boi, estes últimos surgidos na China, foram algumas das mais notáveis criações humanas.

Destes tempos aos nossos dias muitas foram as criações humanas. A máquina a vapor, motor da Revolução Industrial, permitiu deslocações mais poderosas e mais rápidas. As infra-estruturas desenvolveram-se e criaram-se pontes, túneis e carris. A própria noção do tempo alterou-se. Antes do aparecimento do caminho-de-ferro, cada cidade tinha a sua hora própria, diferente de todas as outras. A partir de então, ao longo do percurso de um comboio, passou a existir «a hora do comboio».

O automóvel e o eléctrico foram as invenções seguintes e muitas mais se seguirão.


Augusto Flor, da Direcção da Festa do Avante! e responsável pelo Grupo de Trabalho da Ciência justifica a escolha do tema: «a questão dos transportes acompanha a evolução humana desde sempre.» Em sua opinião, este tema liga-se com a mobilidade e a liberdade do ser humano, com a interculturalidade e também com a economia e com a qualidade de vida.

«Da roda ao TGV»

Assim, estarão em destaque na exposição deste ano do Espaço da Ciência os transportes terrestres «da roda ao TGV», portanto, cerca de cinco mil anos de evolução da humanidade. Para esta exposição, conta Anabela Silva, do grupo de trabalho, foram definidas quatro épocas fundamentais. A primeira, de 3500 a.C. a 1700 d.C., é intitulada «A roda e os primeiros veículos» e a seguinte aborda os tempos da revolução industrial (de 1700 a 1880 d.C.) e tem como lema «A todo o vapor». «A ascensão do automóvel e do eléctrico» é a época seguinte, que engloba os anos de 1880 a 1960 da nossa Era. «A actualidade», é a época seguinte. A finalizar, em «O futuro», traçam-se perspectivas de desenvolvimento, revelou Anabela Silva.

Augusto Flor realçou ainda que dentro de cada uma destas épocas há diferentes perspectivas de abordagem: os meios de transporte; as infra-estruturas; o impacto deste desenvolvimento nas artes e nas letras; e também as suas consequências sociais, políticas e ambientais.

Alice Figueira, responsável no Grupo de Trabalho pelo sector das artes e letras, realça os impactos dos transportes nas diversas artes, particularmente na literatura. Em Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett descreve as carroças, os carros de burros e também o comboio. E já surgem as estradas, «ainda muito desconfortáveis». Na poesia de Cesário Verde aparecem as estradas macadamizadas, e Álvaro de Campos, na Ode Triunfal dá «grande relevo ao automóvel». Em obras mais antigas surgem referências, mas é com os meios mais modernos que os impactos se fazem sentir mais, afirmou Alice Figueira.

Também ao nível das infra-estruturas, os elementos do grupo de trabalho descobriram já coisas interessantes e para muitos desconhecidas. O traçado das principais estradas portuguesas actuais é semelhante ao das estradas romanas, que também tinham dimensões e materiais diferentes, correspondendo a cada categoria de via.

Actualmente, a nanotecnologia é já uma realidade no sector dos transportes terrestres, assim como a navegação por satélite.

in Jornal Avante! Nº 1758 09.Agosto.2007