Andreia - Visitante no Espaço Ciência da Festa do Avante! 2006
sábado, 2 de setembro de 2006
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
Festa do Avante! 2006
Espaço Ciência - A terra e o céu
A Astronomia e a Física dão respostas a estas e muitas outras questões que serão respondidas por prestigiados professores e astrónomos e estudantes do Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico, em debates e palestras e através de observações na exposição de Astronomia.
As experiências de Física, ao vivo, essas, estarão mais relacionadas com a temática da terra, nos âmbitos da Física e da Astronomia.
Fora do pavilhão, junto ao lago, através da observação dos astros, o visitante, enquadrado no sistema solar, é informado sobre as especificidades dos planetas, das estrelas e dos asteróides. Dentro do pavilhão, será simulada uma visão aérea, partindo do Espaço até se chegar à Terra, abordando as origens do Universo, a nossa galáxia, o sistema solar e o nosso planeta.
O mundo pula e avança
Rómulo de Carvalho, poeta e cientista que nas suas obras literárias usava o pseudónimo de António Gedeão, autor do poema «Pedra filosofal», será homenageado, no centésimo aniversário do seu nascimento, na exposição de Astronomia e Física, junto ao lago e ao longo das exposições do espaço.
Na exposição sobre a «Relação da Terra com a arte», era inevitável falar de Rómulo de Carvalho. Como, aliás, dos artistas que, preocupados com a defesa da terra, têm sabido, através do romance e da prosa nomeadamente, perspectivar um mundo que salvaguarda natureza e denunciar a sua destruição. As suas obras reflectem, assim, os problemas da época em que vivem e apresentam, através da arte, alternativas com vista à preservação do Planeta.Auditório da Ciência e das Tecnologias (Pavilhão Central)
Sexta-feira, 1 de Setembro
21h00 – «O estado do planeta, cimeiras para quê?», com Luís Vicente, Rui Namorado Rosa, Nuno Vitorino (moderador).
Sábado, 2 de Setembro
18h30 – «A política de solos em Portugal – uso e posse da terra», com Maria José Roxo, Carlos Amaro e António Pombeiro (moderador). 21h00 – Evocação do centenário do nascimento de Rómulo de Carvalho (António Gedeão) - o professor, o pedagogo, o investigador, o poeta - vida e obra, com José Dias Urbano, António Manuel Nunes dos Santos, Ana Maria Dias e Sílvia Silva (moderadora).
Auditório da Astronomia e Física (junto ao lago)
Sexta-feira, 1 de Setembro
21h00 – «Haverá vida no Universo?», com Máximo Ferreira
Sábado, 2 de Setembro
15h00 – «Vamos construir uma nave espacial» (atelier para crianças),pelo Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico (NFIST)
18h30 – «As lendas do Céu», pelo NFIST
21h00 – «O que somos no Sistema Solar?», com Máximo Ferreira
Domingo, 3 de Setembro
15-00 – «As lendas do Céu», pelo NFIST
sábado, 3 de setembro de 2005
quinta-feira, 1 de setembro de 2005
Festa do Avante! 2005
Espaço da Ciência e Tecnologia
O espaço da Ciência e Tecnologia situa-se, também, no Pavilhão Central da Festa do Avante!. Todos os anos aborda um tema que tem patente uma exposição e vários colóquios. Integrado neste espaço, mas situado junto ao lago, há o Espaço da Astronomia e das Experiências de Física que oferece aos visitantes a possibilidade de usar telescópios e ver in loco objectos celestes impossíveis de detectar a olho nu. As observações, as Experiências de Física e a habitual palestra do Prof. Máximo Ferreira são motivos de sobra para qualquer entendido, interessado ou simplesmente curioso na matéria visitar este Espaço.
DEBATES da CIÊNCIA E TECNOLOGIA
NO AUDITÓRIO DO PAVILHÃO CENTRAL
Sexta, 2 de Setembro
21:00 – “Catástrofes naturais/Prevenção Sísmica”
Sábado, 3 de Setembro
18:30 – “Prevenção dos recursos e património geológico”
Domingo, 4 de Setembro
21:00 – “Pressão urbanística nas zonas costeiras/medidas de prevenção”
quarta-feira, 1 de setembro de 2004
Festa do Avante! 2004
ESPAÇO CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Fome: Passado, Presente e Futuro
“Pelo Pão e pela Paz”
O espaço da Ciência e Tecnologia situa-se, tal como tem acontecido nos últimos anos, no Pavilhão Central da Festa do Avante!. O tema escolhido para este ano é Fome: Passado, Presente e Futuro, com o lema Pelo Pão e pela Paz!. Pretende-se, assim, que o visitante embarque numa viagem que se inicia numa retrospectiva sobre as fomes na história, suas causas e consequências, e o seu reflexo nas artes e na religião. Dando particular atenção ao nosso País, analisa-se o passado recente, as políticas agrícolas do fascismo e as suas consequências, a Revolução de Abril e o enorme significado político, económico e social do processo da Reforma Agrária. Reflecte-se, posteriormente, sobre a actualidade, o que é a fome e a alimentação nos diversos cantos do mundo, o aumento da exploração e o agravamento das desigualdades, o papel das multinacionais, a degradação dos solos e a desertificação, os novos fenómenos de exclusão e a utilização da fome como arma política. Desenhando o futuro, tenta-se descodificar o que serão os novos problemas e os novos caminhos que se avizinham, abordando tópicos como a agricultura biológica, os transgénicos, a biodiversidade e as reservas naturais.
O tronco central desta Exposição vai para além da vertente informativa. A Exposição integrará uma Área Lúdica, que permite aos visitantes a realização de experiências e demonstrações; terá um espaço de Apoio Documental, com informações várias, divulgação de publicações, sítios na Net, bibliografia e filmografia; contará com Animação, quadros de teatro, leitura de textos e poemas alusivos; haverá ainda espaço para a colaboração das Escolas, com a mostra de trabalhos alusivos ao tema realizados por estudantes do ensino secundário. A informação, a dinâmica e a interactividade são, portanto, linhas centrais de orientação para uma visita a esta exposição.
Colóquios no Espaço Ciência
Vários temas de inegável importância e actualidade preencherão durante os três dias da Festa o tempo de debate reservado na programação do Espaço Ciência. Assim, no sábado será visionado um filme sobre a problemática dos deficientes a que se seguirá um debate Abordagens diferenciadas sobre matérias tão distintas como as novas tecnologias da informação ou os transgénicos, por exemplo, não deixarão de constituir-se como estimulantes momentos de reflexão, a partir de leituras que entroncam na perspectiva comum da luta emancipadora dos povos contra a exploração e todas as formas de opressão. Os temas propostos são os seguintes: «Agricultura Biológica e Transgénicos»; «A Fome como Arma Política»; «Alimentação e Saúde»; «Trabalhadores das Novas Tecnologias da Informação: problemáticas e sua organização» «Software livre: perspectivas económicas e políticas»; «O outro lado da Internet: como se tece a rede».
Espaço da Astronomia e das Experiências de Física
Junto ao lago situar-se-á o Espaço Astronomia que este ano voltará a ser uma presença seguramente do agrado, interesse e curiosidade dos visitantes na Festa do Avante!. Dinamizado em colaboração com o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico, com a Associação Helíades, de Constância, e com o Prof. Máximo Ferreira, o Pavilhão da Astronomia oferece aos visitantes a possibilidade de usar telescópios e ver in loco objectos celestes impossíveis de detectar a olho nu. As Observações, as Experiências de Física e a habitual palestra do Prof. Máximo Ferreira são motivos de sobra para qualquer entendido, interessado ou simplesmente curioso na matéria visitar este Espaço.
Espaço Ciência (Programa de debates)
Sexta-feira
21:30 - «Agricultura Biológica e Transgénicos»Sábado
17:00 - «A Fome como Arma Política»
21:30 - «Alimentação e Saúde»;
segunda-feira, 1 de setembro de 2003
Festa do Avante! 2003
«O sol quando nasce é para todos»
O espaço da Ciência e tecnologia no Pavilhão Central da Festa do Avante! será este ano dedicado aos recursos energéticos.
Intitulada «O sol quando nasce é para todos», a mostra pretende dar a conhecer a vital importância de que se revestem a gestão e o uso racional dos limitados recursos energéticos a que o ser humano tem acesso.
Numa perspectiva histórica serão apresentados alguns dados que ajudam a explicar muitos dos problemas que o mundo enfrenta ao nível da energia, como a esgotabilidade das reservas petrolíferas – desde 1970 consumiu-se, em todo o mundo, mais petróleo do que até então e, ao ritmo actual, as jazidas durarão apenas mais algumas dezenas de anos – o aumento do consumo per capita e as disparidades entre países do centro e da periferia do sistema capitalista, os mecanismo de apropriação dos recursos e as consequências nefastas do abuso das energias não renováveis para a qualidade e até sobrevivência da espécie humana.
Desta forma assume particular relevância a aposta no uso da energia solar, fonte inesgotável e «amiga do ambiente», recurso capaz de solucionar o grave problema de sustentabilidade e preservação da vida à face na terra.
Para além dos espaços interactivos dedicados à temática, os visitantes poderão provar café e bolo «solar», que serão confeccionados com recurso àquela fonte de energia.
O debate em torno destas e outras questões também marcará presença. Sob o tema «De Estocolmo a Joanesburgo» realizar-se-á, sábado, às 15h30, um debate relacionado com os compromissos internacionais vigentes e o poder do imperialismo e das multinacionais no uso e apropriação dos recursos, no qual participarão Jorge Cordeiro, do secretariado da Comissão Política do Comité Central, o professor Francisco Ferreira e Heloísa Apolónia, deputada do PEV. Também no Sábado mas às 21h30, com a participação dos professores Rui Namorado Rosa e Jorge Dias de Deus, e dos jornalistas Carlos Santos Pereira e Jorge Messias, o tema em debate será «O Petróleo (também) Mata».
No Domingo, a fechar o ciclo de debates da exposição «O sol quando Nasce é o para todos», estará em discussão o «Desenvolvimento sustentável: Planeamento, qualidade de vida e energias alternativas», com a participação do arquitecto Manuel Salgado, do professor Fernando Nunes da Silva, do engenheiro Joaquim Matias e de um orador indicado pelo INETI.
Espaço astronomia
Num agradável espaço junto ao lago situar-se-á o Espaço Astronomia que este ano estará de novo patente na Festa do Avante!.
Dinamizado em colaboração com o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico e com a Associação Heliades, de Constância, o Pavilhão da Astronomia oferece aos visitantes, para além de um espaço onde poderão esclarecer-se à cerca da dinâmica astral, da actividade solar e sua influência sobre o meio ambiente terrestre, a possibilidade de usar telescópios e ver in locco objectos celestes impossíveis de verificar a «olho nu».
Visitas Ambientais
(As visitas são gratuítas, basta mostar a EP)
Visita de Estudo em autocarro, nas zonas ribeirinhas da Baía do Seixal - Ficha de Inscrição
(colaboração da CM Seixal)
-orientação: Prof. Manuel Lima ( Técnico da Divisão da Educação da CM do Seixal)
- Interpretação da paisagem e diversificadas referências aos principais pontos históricos e culturais da região.
Horários:
Domingo
Partida do autocarro às 9.00h e volta às 12.00h
Partida: Portão do Estádio da Medideira (F.C. da Amora)
Passeio Fluvial na Baia do Seixal -Ficha de Inscrição
(colaboração com o Ecomuseu da CM Seixal)
- orientação: Prof. Manuel Lima ( Técnico da Divisão da Educação da CM do Seixal)
Horários:
Domingo
Barco parte às 13.00 e volta às 15.00h
Partida: Cais de Amora
ESPAÇO CIÊNCIA (Pavilhão Central)
SÁBADO
15h30
«De Estocolmo a Joanesburgo», debate relacionado com os compromissos internacionais vigentes e o poder do imperialismo e das multinacionais no uso e apropriação dos recursos,com Jorge Cordeiro, Francisco Ferreira e Heloísa Apolónia
18h30
«A Cidade e a Arquitectura das Desigualdades» com Helena Roseta (Arquitecta); Pitum Keil do Amaral (Arquitecto) e Filipe Diniz (Arquitecto)
21h30
«O Petróleo (também) Mata» com Rui Namorado Rosa e Jorge Dias de Deus, Carlos Santos Pereira e Jorge Messias
DOMINGO
«Desenvolvimento sustentável: Planeamento, qualidade de vida e energias alternativas», com Manuel Salgado, Fernando Nunes da Silva, Joaquim Matias e de um orador indicado pelo INETI.
quinta-feira, 17 de outubro de 2002
Pedro Nunes, um matemático de génio
Nascido em Alcácer do Sal, Pedro Salaciensis formou-se em Medicina, Línguas e Filosofia pela Universidade de Lisboa. Possivelmente por ter estudado em Salamanca, casou com a castelhana Guiomar de Arias. Em 1530 recebeu a nomeação de cosmógrafo do reino e foi provido nas cadeiras de Filosofia Moral e Lógica na universidade portuguesa. Não conseguindo ouvintes em Filosofia Moral, o mesmo vindo a acontecer a Garcia de Orta que o substituiu, foi incumbido de ler Metafísica. Em 1532 Pedro Nunes deixou a universidade, inegavelmente armado de uma formação completa no mundo da escolástica (1).
Em 1544, o rei D. João III chamou Pedro Nunes para leccionar Matemática em Coimbra e nomeou-o cosmógrafo-mor do reino. Terceiro personagem desta história nascido em 1502, o rei foi um governante virado para as questões do ensino e difusão da cultura mas que haveria de ficar recordado pelo estabelecimento da Santa Inquisição (2) no seio do Estado português. Desde a publicação de De crepusculis liber unus, em 1542, Nunes granjeou a maior admiração internacional. Tornou-se um cosmopolita partilhando as suas investigações e ensinamentos entre Basileia, Coimbra, Lisboa e Salamanca.
A obra
Como geómetra, Pedro Nunes estudou a astronomia náutica a fundo (certo navegador acometia-o com problemas suscitados nas viagens para o Brasil), tendo adicionado à teoria a curva que é hoje designada por «loxodrómica» - a rota que um barco tomaria se cortasse todos os meridianos da superfície da Terra pelo mesmo ângulo - e que ele percebeu ser diferente dos círculos máximos e semelhante a um hélice.
A geometria intrínseca duma qualquer superfície - descrição das cartas ou mapas, mais as suas geodésicas ou caminhos mais curtos - está sempre condicionada pela «curvatura», uma certa e determinada quantidade de que só no século XIX se deu explicação cabal, mas da qual Pedro Nunes parece ter estado ciente no caso da superfície terrestre. Note-se que de modo nenhum a «planificação da esfera», a cartografia, se torna um exercício trivial.
Bom investigador físico-matemático, Pedro Nunes lá deve ter compreendido como Marx e Lénine que a prática é o critério da verdade. Preocupado com o rigor das suas teorias, inventou um instrumento de medição dos ângulos, baptizado de «Nónio» em seguimento do apelido latinizado do seu autor. Em concepção, o Nónio consegue medir os ângulos até várias casas decimais por meio de um desdobramento consecutivo das escalas.
Consta, por se ter ouvido dizer, que Pedro Nunes construiu mesmo as suas «máquinas de precisão» em Coimbra. Porém não está demonstrada a existência de algum Nónio alguma vez em Portugal. Certo mesmo é que não era fácil produzir tais instrumentos com precisão. Tendo o nosso matemático resolvido as questões da duração dos crepúsculos matutino e vespertino, bem como encontrado o dia em que eles são menores, para um local da Terra e uma posição do Sol dados, não é de excluir que tivesse querido confrontar as suas «fórmulas» com a realidade. Confirmados pela prática e por meio do Cálculo Diferencial, séculos mais tarde, os acertados teoremas de Nunes teriam bastado para o levar à imortalidade na história da Ciência.
Nunes publicou imensas obras. Algumas viradas para as questões da marinha - domínio em que veio a ser atacado sem razão por ser apenas um teórico. Em 1537 publicou Sobre certas dúvidas da navegaçam e Tratado da defensam da arte de marear. Se as outras obras iniciais são traduções para português, com anotações, dos tratados de ciência da Idade Média, incluindo uma tradução comentada de parte do célebre Almagesto de Ptolomeu (c.90-c.168, o grande astrónomo geocentrista, que trabalhou na biblioteca de Alexandria), as que se seguiram, não mais escritas em português, fizeram escola pela Europa fora. Por exemplo, Tycho Brahe (astrónomo dinamarquês, mestre de Nicolau Copérnico), Simon Stevin (engenheiro dos diques holandeses), Clavius (matemático alemão dito o Euclides do século XVI) e outros estudaram com muito respeito os escritos de Pedro Nunes. Nomeadamente os originais De crepusculis liber unus (Lisboa, 1542), De erratis Orentii Finaei (Coimbra, 1546, uma revisão dos trabalhos de Oronce Finé, professor do Collège Royal, hoje Collège de France, que pretendia ter resolvido os três problemas já então famosos da quadratura do círculo, duplicação do cubo e trissecção do ângulo), Petri Nonii Salaciensis opera (Basileia, 1566), De arte atque ratione navigandi libri duo (Coimbra, 1573, reedição da obra anterior com novos desenvolvimentos) e o Libro de algebra en arithmetica y geometria (Antuérpia, 1567, um grande tratado de álgebra, infelizmente escrito num estilo já então datado que logo viria a ficar ultrapassado).
Nunes foi-se desligando da escolástica conquanto mais se dedicava às ciências exactas. Assim, as razões que o levaram a não afirmar adesão à teoria heliocêntrica não podem ser analisadas com ligeireza ou explicadas por simples posicionamento ideológico. A sua Petri Nonii Salaciensis opera mostra que ele estudou essa obra revolucionária que foi De revolutionibus, do célebre astrónomo polaco Nicolau Copérnico, publicada em 1543 em Nuremberga. Com efeito Pedro Nunes encontrou, nesse livro, erros matemáticos em certas proposições da trigonometria esférica que podem muito bem ter alertado a sua «dúvida metódica». Todavia, foi um dos primeiros homens de ciência a comentar aquelas novas teorias.
A Ciência merece respeito
A história de Pedro Nunes começa e acaba em Alcácer. Primeiro «do Sal», no fim «Quibir». Morreu no mesmo ano da derrota de D. Sebastião e dois anos antes da perda da soberania portuguesa para a coroa espanhola.
Enquanto a primeira metade de Quinhentos está ligada a fortes desenvolvimentos sociais gerados por diversos factores, a segunda é o voltar ao metafísico, à perseguição das ideias, à capitulação política da nobreza reinante, e o começo do atraso científico, tecnológico e logo económico que se vai acentuar, até à época do Marquês de Pombal, em relação à Europa do Norte.
É deveras intrigante o paralelo que se pode estabelecer entre aqueles períodos e o progresso gerado pós 25 de Abril de 1974 e eminente ascensão das forças comprovadamente mais retrógradas (patronato e igreja) à totalidade dos domínios do poder no nosso país. Neste sentido, é novamente de reafirmar a importância - crescente - do Partido Comunista Português na luta pelas causas da ciência, da cultura, da liberdade e da justiça.
(1) Método de especulação teológico que ajuda à penetração racional das «verdades reveladas» nas várias ciências.
(2) Organismo trazido do Vaticano para a Igreja Portuguesa, constituído por «padres-pides», tinha o objectivo de reprimir os que difundiam ideias «heréticas», como o Protestantismo, e de pugnar pelo apuramento da «raça cristã» (repressão de mouros, moçárabes, judeus). Só formalmente desaparecido no século XIX, contribuiu em muito para o atraso científico, social e económico do País. Entre outros, levou á morte prematura de Damião de Góis.
domingo, 1 de setembro de 2002
Festa do Avante! 2002
O Pavilhão Central, no espaço central, é como sempre o lugar privilegiado para a realização de iniciativas político-culturais. É aqui que se realizam as mais significativas exposições, para além de ser palco da Bienal de Artes Plásticas, que contempla diferentes modalidades, técnicas e expressões estéticas das artes plásticas.
Mas nem só as artes estão patentes na Festa, a Ciência não é esquecida, e os organizadores procuram sempre conceber um espaço interactivo que pretende despertar a curiosidade para a exploração científica de vários fenómenos de luz e de comportamento de materiais.
Exposição de Ciência e Tecnologia
Água: recurso vital e finito!
Em 2002, a Festa do «Avante!» considera importante apresentar no espaço dedicado à Ciência e Tecnologia, o tema “Água”.
Este espaço tem como objectivo informar e consciencializar os visitantes para a importância de preservar e poupar a água – recurso natural finito e essencial à vida.
Num mundo cada vez mais necessitado deste líquido precioso, as reservas de água adquirem um valor estratégico incalculável – por exemplo, cerca de 40% da população mundial vive em bacias fluviais partilhadas por dois países ou mais – na Península Ibérica,
disputa-se o Tejo, o Douro e o Guadiana.
Nos países mais desenvolvidos o consumo de água tem vindo a aumentar drasticamente. Nos países em vias de desenvolvimento, mais de 80% das doenças são devidas principalmente a água contaminada; a qualidade é alterada pelas mais diversas formas de poluição.
A água, essencial à vida, constitui um importante recurso da actividade humana: a civilização desenvolveu-se sempre junto das margens dos rios.
Numa sociedade essencialmente tecnológica, geradora do progresso e bem-estar, é fundamental que, se tome consciência do outro lado deste progresso: gastos excessivos de energia e produção de um volume preocupante de resíduos poluentes.
É PRECISO PRESERVAR
OS ECOSSISTEMAS
E SALVAR A VIDA NA TERRA!
Uma democracia avançada!
Uma política cultural que assegure o acesso à livre circulação e fruição culturais.
O desenvolvimento económico ao serviço do povo e do país!
Pelo terceiro ano consecutivo, a Festa do Avante! conta com um espaço próprio dedicado à Ciência e Tecnologia.
A cultura científica é aqui encarada como parte integrante da cultura, indissociável do conceito de Liberdade, como defendia Bento de Jesus Caraça.
A ciência não é neutra. Como avisava Einstein, é necessário assegurar que o seu desenvolvimento, a cada momento, é em proveito da Humanidade. Ora, num mundo em acelerado processo de transformação e globalização, determinado pelos impulsos da revolução científica e técnica e subordinado aos interesses dos grandes grupos económicos, a difusão do conhecimento e da cultura científica assume uma importância fulcral na compreensão e superação de inúmeros problemas e desafios, que actualmente se colocam à Humanidade.
“(A)... estratégia de desenvolvimento deverá ter como principais vectores:
- o aproveitamento, a mobilização das potencialidades e a gestão adequada dos recursos naturais (... hídricos e energéticos), tendo em conta a especialização, a defesa e melhoria do ambiente, a preservação e recuperação do património natural e dos equilíbrios ecológicos...”
“A diversificação e a intensificação de formas de controlo e exploração dos recursos naturais do Planeta, características marcantes do actual estágio de evolução do sistema capitalista, comprometendo as possibilidades de um Desenvolvimento Sustentável à escala global.
A submissão dos bens ambientais à lógica do mercado, colocando nas mãos dos detentores do capital o poder da exploração da natureza, assume um extraordinário potencial de exploração e iniquidade, traduzido na expropriação dos meios sociais ambientais dos cidadãos.”
(da Resolução Política do XVI Congresso do PCP)
“A forma de gestão da água como recurso finito, móvel e reutilizável de propriedade comum, como bem de primeira necessidade cujo acesso é um direito natural, reflecte o projecto de desenvolvimento do País e, a forma do exercício da soberania, do direito, da equidade e da democracia.
Indissociável das políticas territorial e ambiental, a política da água como recurso estratégico, constituí, no entender do PCP, muito mais que uma política sectorial, um componente estruturante do desenvolvimento integrado humano, de equilíbrio com o espaço envolvente e da autonomia e da sustentabilidade.”
(do programa eleitoral do PCP para as legislativas 2002)
DEBATES:
“Natureza e Desenvolvimento: Que Futuro?” Com: António Abreu, Prof. Rui Namorado Rosa, Pedro Barata, Luísa Apolónia e Prof. Carlos Calado “Gestão da água: as Privatizações” “Alqueva: que Desenvolvimento?” Com: Lino de Carvalho, Prof. Fernando Oliveira Baptista, Engº Pedro Serra, entre outros |
ANIMAÇÃO:
Obs.: a dramatização teatral tem uma duração de 10 a 15 minutos. |
TENDA DE ASTRONOMIA
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sábado, 1 de setembro de 2001
Festa do Avante! 2001
quinta-feira, 9 de agosto de 2001
Entrevista com Máximo Ferreira
O astrónomo Máximo Ferreira, do Museu da Ciência, fala-nos da sua experiência com os jovens e dos avanços desta ciência nos últimos anos. «A astronomia é aliciante para todas as pessoas e devemos utilizá-la para ensinar outras coisas mais importantes», afirma, lembrando que não há mercado de trabalho para os astrónomos.
«Avante!» – O Museu da Ciência recebe muitos pedidos de escolas para fazer demonstrações, nomeadamente de astronomia. Qual a reacção dos estudantes que participam?
Máximo Ferreira – A reacção normal é de expectativa. A astronomia é vista como uma ciência com muitos encantos e muitos mistérios. As pessoas normalmente pensam que vai chegar alguém que vai explicar como é que isto começou, como é que vai acabar, o que são os buracos negros... A nossa missão é chamar as pessoas à realidade das dúvidas que a ciência tem. A ciência observa alguns fenómenos, estabelece teorias e mantém um permanente convívio com a ignorância, com aquilo que não sabe.
A princípio os jovens sentem uma certa desilusão, porque não lhes passa pela cabeça que os cientistas não saibam tudo. A nossa missão é mostrar-lhes como é razoável não saber tudo... e até como é bom não saber tudo. É um incentivo permanente que se põe a todas as pessoas.
Depois mostramos como é fácil trabalhar e que a compreensão absoluta é difícil mas é possível desde que se trabalhe. Em geral ficam muitas sementes: vão sendo criados muitos grupos de astronomia pelo País, quer nas escolas quer noutras instituições.
– A grande promoção da astronomia em Portugal faz-se com os planetários e, desde 1997, com o programa «Astronomia no Verão». É suficiente?
– Nada é suficiente. De qualquer forma, tem sido bastante positivo. O planetário da Marinha, em Lisboa, principalmente desde 1975 alargou bastante a sua actividade, nomeadamente com a ida às escolas. Isso teve muitos efeitos positivos, porque lançou nas escolas algumas sementes da astronomia, trouxe cada vez mais pessoas ao planetário e criou a necessidade de produzir mais recursos para apoiar a divulgação e o ensino da astronomia.
Depois surgiu o planetário do Museu da Ciência, o do Porto e o de Espinho. Actualmente existem cerca de 20 planetários portáteis, um número significativo. Desses, 12 estão em escolas. O objectivo foi criar um centro de recursos para que, dentro da própria escola, se fizesse algum ensino da astronomia, integrada nos programas curriculares. Nalgumas escolas fez-se uma aplicação dos planetários à História, saber por exemplo como os navegadores se orientavam.
– Existem muito poucas licenciaturas que dêem formação em astronomia. Sendo esta uma área que interessa a tantas pessoas, a oferta educativa está à altura?
– Talvez não esteja suficientemente bem articulada. A ideia que tenho é que os programas curriculares não têm encarado a astronomia como uma disciplina necessariamente autónoma – e aí estou plenamente de acordo.
A astronomia é aliciante para todas as pessoas e devemos utilizá-la para ensinar outras coisas mais importantes. É mais importante adquirir uma formação razoável de matemática ou de geometria. Fazer uma conta para ver quanto é que o telescópio aumenta a visão é uma acção que assusta as pessoas, mas, seu eu tiver um telescópio e quiser trabalhar com ele, tenho de fazer a conta. Se eu fizer com que a pessoa meça a altura de uma estrela, ela vai perceber o que é a altura e que o ângulo que eu meço aqui é o mesmo que eu mediria se pudesse ir à esfera celeste.
– Parece que a astronomia não vale por si mesma...
– Vale, mas, se através da astronomia se fizer com que as pessoas percam o medo de conceitos de física ou de matemática, elas adquirem conhecimento e podem ser qualquer coisa na vida: matemáticos, físicos, biólogos, médicos, economistas, electrónicos... Se a pessoa for encaminhada para ser astrónoma, no final da sua formação não tem emprego.
– Como funciona o mercado de trabalho?
– Pois, o problema é esse. Aparentemente estava a desvalorizar a astronomia, mas não podemos estar a incentivar todas as pessoas a serem astrónomas.
– Há 40 anos, Iuri Gagarine tornou-se o primeiro homem a viajar no espaço, depois de anos de intenso trabalho no campo científico. Avançou-se tanto nestes últimos 40 anos como nos 40 anos que precederam a viagem?
– Talvez me atrevesse a dizer que quando Gagarine foi para o espaço passaram-se mais de 50 anos depois de Tsiolkovsky ter dito que «a Terra é o berço da humanidade mas que ninguém vive no berço toda a vida».
Colocar um homem no espaço é, de facto, um feito histórico. Daí para cá não se terá avançado tanto. O que se ganhou foi muita tecnologia e muita acumulação de conhecimento. Essas primeiras tentativas de colocar naves e homens no espaço foram dando uma maior noção da realidade: que condições são necessárias para ter homens no espaço e para que é preciso ter permanentemente homens no espaço?
Podemos pensar que passaram poucos anos entre o homem no espaço e o homem na lua e se não seria razoável que já tivéssemos chegado mais longe. Penso que o progresso foi extraordinariamente mais importante na percepção de que existem limitações físicas para viajar no espaço, mas que não existem limitações tecnológicas. Podemos conhecer o espaço sem ir lá.
Acho que se progrediu extraordinariamente. Hoje conhecemos muito melhor os planetas do sistema solar do que se tivéssemos insistido na ideia de que «só queremos conhecer Saturno quando for possível ir lá um homem».
– O lançamento de naves é muitas vezes apresentado pelos media como o mais importante na astronomia. Isso corresponde à realidade?
– Os avanços tecnológicos não se traduzem só nisso, mas isso faz falta para os avanços. Por exemplo, se eu quero detectar os primeiros momentos da vida de uma estrela, tenho de detectar a radiação infravermelha que não passa na nossa atmosfera. Para isso tenho de arranjar um sistema mecânico que coloque um satélite no espaço e depois tem de haver um processo electrónico que capte as radiações. A nave utiliza-se hoje como uma ferramenta.
Quem escreve ou faz filmes sobre ficção faz sempre qualquer coisa que não acredita que seja alcançável. A magia da ficção está exactamente nisso. Gostaria de poder viajar no espaço à velocidade da luz, mas com os conhecimentos actuais isso está para lá do possível. Se daqui a 40 ou 50 anos isso se concretizar, alguém dirá que eu tenho um poder de antevisão... Mas não é nada disso.
– O Big Bang, a expansão do universo... Até que ponto se pode provar o que aconteceu há tantos milhares de anos?
– Não se prova. O que fazemos em relação ao Big Bang é o que fazemos com outras coisas. Nesta altura, vemos galáxias que se afastam umas das outras. Então, daqui a uns milhões de anos hão-de estar mais afastadas. Logo, o universo está em expansão. Agora faço o filme ao contrário. Quando ando para trás, tendo noção da escala de expansão do universo, chego a uma altura em que a matéria está bastante concentrada. Pensamos como seria a pressão, a temperatura, estabelecemos conjecturas e dizemos: «Só pode ter acontecido uma coisa: esta situação deve ter provocado uma explosão.»
Com alguns elementos que vamos recolhendo, vamos concluindo que esta é uma boa hipótese: explica aquilo que se observa e vamos encontrando vestígios que dão ideia que a evolução terá ocorrido assim. Mas não é mais do que uma hipótese. Este universo é criação do homem e é com a ciência que o arquitectamos. Esta hipótese não é completa, deixa por explicar o que haveria antes do Big Bang ou quais os limites do universo. Dava jeito que fosse infinito...
– A astronomia e a física estão ligadas à filosofia?
– Claro e até com quase todas as filosofias religiosas. A grande diferença é que o cientista tem dúvidas e o religioso não tem. Quando não se consegue descobrir algo, o cientista fica com esperança de mais tarde se descobrir, enquanto o religioso pensa: «Foi aqui que Deus entrou».
– Qual o papel dos países pequenos nos avanços tecnológicos, particularmente de Portugal?
– O papel é ser pequeno... Depende também do engenho e da capacidade das instituições. Com uma boa formação, os investigadores impõem-se por si mesmos. Há portugueses nalguns projectos internacionais e isso depende das instituições que os formaram cá e do seu próprio carácter.
in «Avante!» Nº 1445 - 9.Agosto.2001