sábado, 1 de setembro de 2001

Festa do Avante! 2001





Ciência

Sábado
16.30 horas -(Pavilhão da Ciência)
"A ciência ao serviço da humanidade?" com a presença do astrónomo Máximo Ferreira, de Francisco Silva, engenheiro e especialista em telecomunicações, e Jorge Dias Deus, responsável pelo departamento de Física do Instituto Superior Técnico de Lisboa

quinta-feira, 9 de agosto de 2001

Entrevista com Máximo Ferreira

O ABC da astronomia

O astrónomo Máximo Ferreira, do Museu da Ciência, fala-nos da sua experiência com os jovens e dos avanços desta ciência nos últimos anos. «A astronomia é aliciante para todas as pessoas e devemos utilizá-la para ensinar outras coisas mais importantes», afirma, lembrando que não há mercado de trabalho para os astrónomos.

«Avante!» – O Museu da Ciência recebe muitos pedidos de escolas para fazer demonstrações, nomeadamente de astronomia. Qual a reacção dos estudantes que participam?

Máximo FerreiraMáximo Ferreira – A reacção normal é de expectativa. A astronomia é vista como uma ciência com muitos encantos e muitos mistérios. As pessoas normalmente pensam que vai chegar alguém que vai explicar como é que isto começou, como é que vai acabar, o que são os buracos negros... A nossa missão é chamar as pessoas à realidade das dúvidas que a ciência tem. A ciência observa alguns fenómenos, estabelece teorias e mantém um permanente convívio com a ignorância, com aquilo que não sabe.

A princípio os jovens sentem uma certa desilusão, porque não lhes passa pela cabeça que os cientistas não saibam tudo. A nossa missão é mostrar-lhes como é razoável não saber tudo... e até como é bom não saber tudo. É um incentivo permanente que se põe a todas as pessoas.

Depois mostramos como é fácil trabalhar e que a compreensão absoluta é difícil mas é possível desde que se trabalhe. Em geral ficam muitas sementes: vão sendo criados muitos grupos de astronomia pelo País, quer nas escolas quer noutras instituições.

– A grande promoção da astronomia em Portugal faz-se com os planetários e, desde 1997, com o programa «Astronomia no Verão». É suficiente?

– Nada é suficiente. De qualquer forma, tem sido bastante positivo. O planetário da Marinha, em Lisboa, principalmente desde 1975 alargou bastante a sua actividade, nomeadamente com a ida às escolas. Isso teve muitos efeitos positivos, porque lançou nas escolas algumas sementes da astronomia, trouxe cada vez mais pessoas ao planetário e criou a necessidade de produzir mais recursos para apoiar a divulgação e o ensino da astronomia.

Depois surgiu o planetário do Museu da Ciência, o do Porto e o de Espinho. Actualmente existem cerca de 20 planetários portáteis, um número significativo. Desses, 12 estão em escolas. O objectivo foi criar um centro de recursos para que, dentro da própria escola, se fizesse algum ensino da astronomia, integrada nos programas curriculares. Nalgumas escolas fez-se uma aplicação dos planetários à História, saber por exemplo como os navegadores se orientavam.

– Existem muito poucas licenciaturas que dêem formação em astronomia. Sendo esta uma área que interessa a tantas pessoas, a oferta educativa está à altura?

– Talvez não esteja suficientemente bem articulada. A ideia que tenho é que os programas curriculares não têm encarado a astronomia como uma disciplina necessariamente autónoma – e aí estou plenamente de acordo.

A astronomia é aliciante para todas as pessoas e devemos utilizá-la para ensinar outras coisas mais importantes. É mais importante adquirir uma formação razoável de matemática ou de geometria. Fazer uma conta para ver quanto é que o telescópio aumenta a visão é uma acção que assusta as pessoas, mas, seu eu tiver um telescópio e quiser trabalhar com ele, tenho de fazer a conta. Se eu fizer com que a pessoa meça a altura de uma estrela, ela vai perceber o que é a altura e que o ângulo que eu meço aqui é o mesmo que eu mediria se pudesse ir à esfera celeste.

– Parece que a astronomia não vale por si mesma...

– Vale, mas, se através da astronomia se fizer com que as pessoas percam o medo de conceitos de física ou de matemática, elas adquirem conhecimento e podem ser qualquer coisa na vida: matemáticos, físicos, biólogos, médicos, economistas, electrónicos... Se a pessoa for encaminhada para ser astrónoma, no final da sua formação não tem emprego.

– Como funciona o mercado de trabalho?

– Pois, o problema é esse. Aparentemente estava a desvalorizar a astronomia, mas não podemos estar a incentivar todas as pessoas a serem astrónomas.

– Há 40 anos, Iuri Gagarine tornou-se o primeiro homem a viajar no espaço, depois de anos de intenso trabalho no campo científico. Avançou-se tanto nestes últimos 40 anos como nos 40 anos que precederam a viagem?

– Talvez me atrevesse a dizer que quando Gagarine foi para o espaço passaram-se mais de 50 anos depois de Tsiolkovsky ter dito que «a Terra é o berço da humanidade mas que ninguém vive no berço toda a vida».

Colocar um homem no espaço é, de facto, um feito histórico. Daí para cá não se terá avançado tanto. O que se ganhou foi muita tecnologia e muita acumulação de conhecimento. Essas primeiras tentativas de colocar naves e homens no espaço foram dando uma maior noção da realidade: que condições são necessárias para ter homens no espaço e para que é preciso ter permanentemente homens no espaço?

Podemos pensar que passaram poucos anos entre o homem no espaço e o homem na lua e se não seria razoável que já tivéssemos chegado mais longe. Penso que o progresso foi extraordinariamente mais importante na percepção de que existem limitações físicas para viajar no espaço, mas que não existem limitações tecnológicas. Podemos conhecer o espaço sem ir lá.

Acho que se progrediu extraordinariamente. Hoje conhecemos muito melhor os planetas do sistema solar do que se tivéssemos insistido na ideia de que «só queremos conhecer Saturno quando for possível ir lá um homem».

– O lançamento de naves é muitas vezes apresentado pelos media como o mais importante na astronomia. Isso corresponde à realidade?

– Os avanços tecnológicos não se traduzem só nisso, mas isso faz falta para os avanços. Por exemplo, se eu quero detectar os primeiros momentos da vida de uma estrela, tenho de detectar a radiação infravermelha que não passa na nossa atmosfera. Para isso tenho de arranjar um sistema mecânico que coloque um satélite no espaço e depois tem de haver um processo electrónico que capte as radiações. A nave utiliza-se hoje como uma ferramenta.


«2001, Odisseia no Espaço» foi realizado em 1968. Hoje a realidade é bastante diferente da apresentada no filme. Na altura supunha-se de facto que a tecnologia iria evoluir tão depressa?

Quem escreve ou faz filmes sobre ficção faz sempre qualquer coisa que não acredita que seja alcançável. A magia da ficção está exactamente nisso. Gostaria de poder viajar no espaço à velocidade da luz, mas com os conhecimentos actuais isso está para lá do possível. Se daqui a 40 ou 50 anos isso se concretizar, alguém dirá que eu tenho um poder de antevisão... Mas não é nada disso.

– O Big Bang, a expansão do universo... Até que ponto se pode provar o que aconteceu há tantos milhares de anos?

– Não se prova. O que fazemos em relação ao Big Bang é o que fazemos com outras coisas. Nesta altura, vemos galáxias que se afastam umas das outras. Então, daqui a uns milhões de anos hão-de estar mais afastadas. Logo, o universo está em expansão. Agora faço o filme ao contrário. Quando ando para trás, tendo noção da escala de expansão do universo, chego a uma altura em que a matéria está bastante concentrada. Pensamos como seria a pressão, a temperatura, estabelecemos conjecturas e dizemos: «Só pode ter acontecido uma coisa: esta situação deve ter provocado uma explosão.»

Com alguns elementos que vamos recolhendo, vamos concluindo que esta é uma boa hipótese: explica aquilo que se observa e vamos encontrando vestígios que dão ideia que a evolução terá ocorrido assim. Mas não é mais do que uma hipótese. Este universo é criação do homem e é com a ciência que o arquitectamos. Esta hipótese não é completa, deixa por explicar o que haveria antes do Big Bang ou quais os limites do universo. Dava jeito que fosse infinito...

– A astronomia e a física estão ligadas à filosofia?

– Claro e até com quase todas as filosofias religiosas. A grande diferença é que o cientista tem dúvidas e o religioso não tem. Quando não se consegue descobrir algo, o cientista fica com esperança de mais tarde se descobrir, enquanto o religioso pensa: «Foi aqui que Deus entrou».

– Qual o papel dos países pequenos nos avanços tecnológicos, particularmente de Portugal?

– O papel é ser pequeno... Depende também do engenho e da capacidade das instituições. Com uma boa formação, os investigadores impõem-se por si mesmos. Há portugueses nalguns projectos internacionais e isso depende das instituições que os formaram cá e do seu próprio carácter.

Os países pequenos não têm muitas condições para investigação interna. Os centros de investigação são cada vez mais sofisticados e mais caros. Uma forma de um país pequeno se agigantar será formar bem pessoas que possam trabalhar em instituições internacionais.

in «Avante!» Nº 1445 - 9.Agosto.2001

2001, odisseia na Atalaia

Exposição de astronomia com observações do céu, experiência, debates e teatro

A exposição de ciência e tecnologia da Festa deste ano é dedicada à astronomia, um projecto desenvolvido em colaboração com o Museu da Ciência e a Associação Aquila. Estarão expostos objectos usados nas naves e os visitantes poderão observar os astros com telescópios, aprender mais sobre astronomia em jogos electrónicos e discutir a ciência num debate com especialistas. Para os mais novos há uma peça de teatro. Mais informações e pormenores sobre o pavilhão da Ciência serão divulgados em próximas edições.

A exposição da astronomia é composta por experiências interactivas e observações do céu diurnas e nocturnas com telescópios. Estarão expostos modelos do Sputnik e do programa Apolo, comida e pasta de dentes usadas nas naves, autógrafos de astronautas e outros objectos relacionados com esta ciência pertencentes ao Museu da Ciência e à colecção particular de Caeiro de Sousa, um operário que tinha como passatempo a astronomia.

Na tarde de sábado realiza-se um debate, sob o tema «A ciência ao serviço da humanidade?», com a participação do astrónomo Máximo Ferreira, de Francisco Silva, engenheiro e especialista em telecomunicações, e Jorge Dias Deus, responsável pelo departamento de Física do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Será ainda apresentada uma peça infantil pela companhia «Teatro Extremo», de Almada, «Os três cosmonautas». Os actores vão «tirando» histórias de dentro de uma mala à laia dos tradicionais contadores e narrando a história dos descobridores do espaço. «Eles vão enfrentando o desconhecido juntamente com o público. Será utilizada a linguagem oral e corporal e os objectos transportados na tal mala», adianta Anabela Silva, da organização da Festa. O encontro fica marcado para sábado e domingo à tarde, junto à exposição.

Anabela Silva sublinha ainda que esta iniciativa reflecte a importância que o PCP dá à ciência, nomeadamente com a promoção e divulgação do conhecimento científico.

Um local ideal

Para além do astrónomo Máximo Ferreira, à conversa com a jornalista do «Avante!» estiveram Anabela Silva, Vítor Hugo Cardoso e os jovens da Aquila, João Sampainho, Ana Ferreira e Pedro Ferreira

Tudo o que estará presente na Festa já foi apresentadas noutros locais, mas é a primeira vez que se juntam todos estes elementos. Ou seja, esta exposição vai ser estreada pelos visitantes da Festa.

Como explica Máximo Ferreira, a Festa é um local privilegiado para a divulgação da ciência: «Alguns visitantes já terão uma motivação para a astronomia, outros passarão pela exposição só por passar. Mas é isso que nós queremos: que se envolvam com as coisas que lá iremos ter e que isso se traduza numa vontade de continuar. A Festa é um local ideal para fazermos esta exposição, não só pela predisposição das pessoas, como pelo número de visitantes.»

«Não vamos ter todas as coisas que gostaríamos, porque a própria Atalaia não chegaria», diz ao «Avante!» o astrónomo, explicando que é a primeira vez que o Museu da Ciência participa numa iniciativa com tão grande número de pessoas e com formações tão diversas.

As luzes da Festa condicionarão inevitavelmente as observações, mas, como refere Máximo Ferreira, o objectivo da exposição é «mostrar ao cidadão comum que, mesmo no local onde está, há coisas no céu que pode ver. E falaremos também daquilo que não é visível naquela zona do céu.»

Águias do espaço

A exposição conta com a colaboração da Aquila. Parte dos monitores presentes na Atalaia são membros desta associação de observação astronómica fundada no ano passado, no Seixal. Muitos deles são já licenciados, tendo descoberto a astronomia ainda na infância e mantendo-a como um hobby.

Para João Sampainho, o seu presidente, «o contacto com as pessoas é extraordinário». «Além de estarmos ao pé de um telescópio a tentar ensinar alguma coisa, também vamos aprendendo. Por exemplo, no Norte do País atribuem um nome a uma determinada constelação e no Sul dão-lhe outro nome.»

Antes da Festa, a Aquila vai promover diversas observações no concelho do Seixal, aos fins-de-semana. E contam seduzir muita gente...

in «Avante!» Nº 1445 - 9.Agosto.2001

sexta-feira, 1 de setembro de 2000

Festa do Avante! 2000


No Pavilhão Central irá haver uma Exposição da Ciência com o objectivo de divulgar e atrair pessoas para a investigação.

quarta-feira, 8 de setembro de 1999

Os mistérios da ciência desvendados a brincar

O Espaço Interactivo de Ciência apresentado pela Organização de Coimbra do PCP, além de uma novidade, foi um dos grandes sucessos da Festa: instalado perto de uma das entradas do recinto, o Espaço nunca teve espaços mortos na recepção dos muitos milhares de visitantes que, em filas de espera permanentes, aguardavam alegremente a sua vez de experimentar o prodígio de brincar através experiências científicas.

Encestar uma bola usando apenas uma corrente de ar fornecida por uma mangueira, adivinhar texturas, formas e materiais tacteando num recipiente inspirado nos mistérios das cerimónias da ordália, descobrir a escala de solfejo em gigantescos tubos de ar, lançar objectos num declive que recuam em vez de descer devido ao centro de gravidade, experimentar bizarras distorções de óptica em jogos de espelhos, descobrir o princípio do periscópio manuseando exemplares feitos de simples espelhos e cartolina, deliciar-se com as bizarrias provocadas pela electricidade estática, espreitar ao microscópio reacções e formas insólitas, abordar as surpresas da química com manuseamentos simples e directos, eram apenas algumas das surpresas que esperavam (e apaixonavam) os visitantes do Espaço Interactivo da Ciência.

Embora os mais jovens, com a sua alacridade e entusiasmo inesgotável, se afirmassem activamente como os utentes soberanos deste Espaço, os mais velhos - digamos mesmo os de «todas as outras idades» - também não hesitavam em envolver-se nas brincadeiras, agora experimentando, depois olhando atentamente as explicações científicas dos fenómenos que acabavam de desencadear e, finalmente, repetindo a «dose» de brilho nos olhos.

A iniciativa trazida pela Organização Regional de Coimbra fazia bem jus às palavras de Bento de Jesus Caraça, retiradas da obra Conceitos Fundamentais de Matemática e expostas à entrada do pavilhão: «A ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Ou se olha para ela tal como vem exposta nos livros de ensino, como coisa criada, (...). Ou se procura acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo, assistir à maneira como foi sendo elaborada, e o aspecto é totalmente diferente(...). A ciência encarada assim, parece-nos como um organismo vivo, impregnado de condição humana, com as suas fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação; aparece-nos, enfim, como um grande capítulo da vida humana social».

O Espaço Interactivo de Ciência apresentado na Festa do Avante! é apenas um segmento da grande exposição do Exploratório Infante D. Henrique / Centro de Ciência Viva de Coimbra, situada na cidade do Mondego, apoiada essencialmente pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e tendo a a colaboração de diversas outras entidades locais e regionais, como a Câmara Municipal de Coimbra, a Reitoria da Universidade e outras entidades académicas de Coimbra. Este segmento trazido à Festa do Avante! é um dos módulos itinerantes que o Exploratório Infante D. Henrique utiliza para divulgar no exterior o seu excelente trabalho do ensino da ciência através da experimentação lúdica.


in «Avante!» Nº 1345 - 9.Setembro.1999

quarta-feira, 1 de setembro de 1999

Festa do Avante! 1999


Ciência interactiva no Espaço de Coimbra
Ver, tocar e experimentar


Com o objectivo de contribuir para a divulgação da ciência e da tecnologia, a Organização Regional de Coimbra (DORC) leva este ano à Festa um Espaço Interactivo de Ciência.

Bento de Jesus Caraça, na sua obra «Conceitos Fundamentais de Matemática» escrevia: «A ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Ou se olha para ela tal como vem exposta nos livros de ensino, como coisa criada (...) ou se procura acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo, assistir como foi sendo elaborada, e o aspecto é totalmente diferente(...).

«A ciência encarada assim, parece-nos como um organismo vivo, impregnado de condição humana, com as sua fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação; aparece-nos enfim como um grande capitulo da vida humana social».

É neste espírito que se insere a iniciativa da DORC ao promover na Festa um espaço interactivo de ciência onde o visitante pode pôr à prova os seus conhecimentos gerais de física e química através de jogos; observar o comportamento inesperado de alguns materiais através do contacto directo; ou experimentar certos fenómenos físicos.

Através de interessantes expositores e com a ajuda das explicações dos monitores, os visitantes poderão verificar o princípio de Pitágoras, o que é um holograma, divertir-se com os espelhos mágicos ou certas reacções químicas, entre muitas outras propostas que atrairão certamente um vasto público de todas as idades.

Para despertar a curiosidade adiantamos o nome de alguns expositores patentes: Bola ao Cesto; Cabeça à Roda; Espelho Mágico; Mão Firme; Minerolândia; Óculos Mágicos; Pulgas Eléctricas; Rampa a Cima, Rampa Abaixo; Tubos de Som; Roda que Roda.

Este original espaço interactivo foi montado com a colaboração do Exploratório de Coimbra Infante D. Henrique e da sua exposição permanente denominada «Materialmente», e conta com experiências de docentes de todas as universidades que têm licenciaturas em Engenharia de Materiais e de docentes do ensino Básico e Secundários de diversas regiões do país.

No final o visitante pode ainda adquirir alguns engenhosos brinquedos miniatura que vão fazer sucesso entre os amigos. Dinossauros e crocodilos que aumentam o seu tamanho depois de mergulhados em água, periscópios e óculos especiais são alguns dos brinquedos que vão estar à venda na banca deste espaço, situado no alto da Medideira.

O horário de funcionamento durante os três dias da Festa é das 11 às 23 horas.

domingo, 15 de agosto de 1999

domingo, 1 de agosto de 1999

domingo, 1 de setembro de 1996

Vinte Festas: da FIL à Atalaia

Vinte Festas:
da FIL à Atalaia

Por: Ruben de Carvalho
Artigo publicado n' «O Militante» de Setembro/Outubro de 1996

Ao longo dos seus vinte anos, a Festa do Avante! realizou-se em cinco lugares diferentes: em 1976, nos pavilhões da FIL, na Junqueira; em 1977 e 78, nos terrenos do hipódromo do complexo desportivo do Estádio Nacional, no Jamor; de 1979 a 1986 no Parque de Monsanto, no Casalinho da Ajuda; em 88 e 89 em Loures e, desde 1990, em terrenos finalmente definitivos, a Quinta da Atalaia, na Amora-Seixal. A compra da quinta pelo PCP em 1989, através de uma campanha de fundos que rapidamente reuniu os 150 mil contos investidos, pôs termo a uma «peregrinação» ditada por sucessivas recusas e dificuldades levantadas à realização da Festa: nas suas últimas edições, a Festa tem assim podido contar com a planificação e os investimentos finalmente tornados possíveis.

Estas longas duas décadas de vida confirmaram a Festa do «Avante!» como um acontecimento sem paralelo no panorama político e cultural português onde constitui o maior acontecimento de massas do País. Festa organizada e construída pelos comunistas e pelo seu Partido, inequivocamente identificada com o nome do órgão central do PCP, a Festa ultrapassa contudo em muito as fronteiras político-partidárias do PCP em todos os seus aspectos: no seu programa cultural e na diversidade das participações de artistas e criadores e, sobretudo, na ampla e entusiástica partipação do público no qual crescentemente se destaca a juventude.

Cada edição da Festa assumiu traços específicos gerados pelo seu programa político-cultural, pelos aspectos de construção e decoração, mesmo pela forma como se integrou no momento político, social e de luta de cada ano. Essa diversidade, porém, apenas acentua uma personalidade, uma identidade própria da Festa, mantida e construída ao longo de vinte anos e para a qual penso que três edições contribuiram determinantemente: a primeira, em 1976, a de 1977 com a ida para o Jamor e a de 1990, com a Atalaia.

Logo nos primeiros dias da instalação do PCP no seu primeiro Centro de Trabalho de Lisboa, na Av. António Serpa, na porta de um dos gabinetes havia já um cartaz onde se dizia... Festa do Avante!.

Um tempo e um lugar

Seria contudo necessário aguardar dois anos para a primeira Festa. Em rigor, numerosas realizações culturais de massas se desenrolaram ao longo dos anos de 74 e 75, com destaque para os convívios em Belém (com a pintura do grande mural colectivo que o fogo vigrande mural colectivo que o fogo viria a destruir no incêndio dos pavilhões onde funcionou o «Mercado do Povo»), no estádio «1º de Maio», etc..

Mas duas circunstâncias de índole completamente diversa viriam a exercer um papel determinante.

Por um lado, a descoberta de um local propício para a realização de grandes iniciativas: os pavilhões da Feira das Indústrias de Lisboa, nessa altura ocupados pelos trabalhadores em conflito com o patronato da Associação Industrial Portuguesa. Infraestruturada para feiras e exposições, a FIL oferecia condições ao tempo únicas para montar um vasto espaço de convívio, o que foi aproveitado para organizar um reveillon de passagem do ano de 75-76.

Já no ano anterior se organizara uma festa na noite de fim de ano no Pavilhão dos Desportos (hoje Pavilhão Carlos Lopes), mas a iniciativa de 76 partiria directamente do Partido e, mais directamente, do conjunto de estruturas ligados ao Avante!, à editorial e à estrutura de distribuição que viria a dar a CDL.

Mas um segundo elemento concedeu especial significado àquele reveillon: realizado pouco mais da derrota da esquerda militar no 25 de Novembro e num momento complexo do ponto de vista político, a festa de fim de ano trouxe de novo à actualidade as possibilidades das iniciativas de índole cultural e de convívio como elemento de intervenção política, seguindo uma linha de grandes tradições antes do 25 de Abril (cooperativas culturais, convívios estudantis, etc.) que o fervilhar revolucionário de 74/75 relegara para segundo plano.

Destes dois factores resultou a decisão de avançar com a Festa, organizada essencialmente a partir daquelas estruturas: a editora, a redacção do Avante!. A Festa de 76 reflectiu, naturalmente, algumas condicionantes ditadas pelo próprio recinto: foi profundamente exposicional, com uma grande componente de venda de livros e discos, um número enorme de palcos (onze!) de todos os tipos. Faltavam-lhe ainda alguns traços inteiramente definitórios da festa popular, nomedamente uma mais vasta componente comercial e, sobretudo, a comida, os restaurantes, o convívio à volta da mesa.

Mas desde logo se fixaram alguns decisivos elementos. Antes de tudo o mais, a dimensão de massas. A afluência excedeu tudo quanto se podia imaginar, a FIL abarrotava literalmente de gente num ambiente de fraternidade e alegria que se iria prolongar por todas as edições futuras. Esta dimensão de massas caracterizava-se ainda pelo seu carácter profundamente popular e unitário, desde logo se tornou evidente que a assistência ia muito para além dos limites da organização do Partido. Mas, particularmente importante e significativo, estes traços não era conseguidos mediante um apagamento do Partido, antes pelo contrário: a presença do Partido era clara e assumida, mas sem que se traduzisse num sectarismo isolacionista ou instrumentalizador.

As presenças internacionais de jornais de outros partidos e o empenho posto nalguns temas nacionais (a Reforma Agrária especialmente) concederam igualmente um traço que não se apagaria: a solidariedade, a festa enquanto afirmação de solidária troca de experiências, momento de apoio aos que lutam. E, finalmente, a grande diversidade e qualidade das presenças culturais (de Luigi Nono ao grupo rock «Area», do coro da Academia de Amadores de Música a Archie Shepp) marcaram a abertura cultural e estética servida por um esforço de produção de qualidade que revelaria um Partido aberto à criação, à beleza, à modernidade, tanto quanto ao património cultural do povo e do País.

A terra e o sol

Em 1977, na primeira das manifestações de intolerância que se seguiriam, a Associação Industrial Portuguesa recusou a cedência da FIL para realização da Festa. A peregrinação da busca de local começou. E nesse ano, no meio de alguma polémica, foi tomada uma decisão histórica: fazer a Festa ao ar livre.

Um homem desempenharia nessa decisão um papel central, Joaquim Campino, não apenas por dele ter partido a sugestão de se usar o abandonado hipódromo do Jamor, mas essencialmente pela sua consciência de que uma festa como a do Avante!, popular, de massas, exigia o ar livre. A escorar esta sua opinião, uma experiência enraízada numa actividade ligada às forças progressistas nas décadas de 40 e 50 - o campismo, os convívios campistas de ar livre, as confraternizações nacionais e internacionais em torno dos «fogos de campo» sobre as quais a repressão lançava olheres suspeitosos - e com razão dee ser...

De certa forma, é com a ida para o Jamor que a Festa adquire traços de identidade que se mantêm até hoje.

Com o ar livre modificou-se o próprio conceito urbanístico da Festa: a Festa passou a ver-se e, dentro da Festa, os visitantes passaram a ver-se a si próprios. A circulação, a decoração, a lógica plástica dos pavilhões, tudo ganhou exigências novas pela dimensão e pelo facto de se desenhar sobre um terreno inteiramente livre e aberto. Do ponto de vista plástico, foi o primeiro ano em que Rogério Ribeiro daria um contributo que, nas formas rasgadas e amplas e nas decorações de cores fortes e directas, daria à Festa não apenas um fascinante ambiente de ar livre profundamente estetizado, mas também um ambiente cromático em que se unia a combatividade e alegria da motivação da Festa com um cunho indelevelmente português e popular.

O carácter popular acentuou-se. Depois, o próprio afastamento de meios urbanos, introduziu no Jamor dois factores fulcrais da festa popular: a comida e a bebida e o comércio.

Da experiência da FIL verificara-se de facto a indispensabilidade de assegurar comida para os visitantes; por outro lado, para além dos livros e discos, a Festa passou a contar com uma miríade de vendas, com especial relevo para produtos de artesanato, de cultura popular, trazidos pelas organizações de todos os pontos do País.

Mas talvez o passo mais importante dado em 77 tenha resultado do gigantesco esforço que representou erguer a Festa. Em 76, a FIL, infraestruturada, com pessoal próprio e especializado, resolvera muitos problemas; em 77 foi preciso fazer tudo. Erguer pavilhões, enterrar canalizações e redes eléctricas, tratar dos esgotos e dos abastecimentos, limpar o terreno. Se na FIL quase bastara desenhar, a partir daqui a responsabilidade e capacidade de um engenheiro, Fernando Vicente, era exigida pela própria realidade. Tudo isto num país de há duas décadas, com soluções técnicas limitadas, nenhuma experiência em iniciativas deste tipo e dimensão - tudo ainda agravado por meios financeiros limitados. A Festa de 77 só foi possível porque a organização do Partido se empenhou directamente na sua construção. Ao sair fisicamente das mãos dos militantes, a Festa passou a ser não apenas um ponto de encontro e de convívio mas uma obra colectiva, uma criação colectiva do colectivo partidário. Ao visitar a sua Festa, o Partido revia-se no que directamente construira, para si e para os milhares de visitantes.

Politicamente, a Festa assumia uma importância que dificilmente se poderia ter previsto. Passou a marcar a rentré política e a assegurar o rápido retomar de trabalho das organizações após o período de férias. Em si própria, a Festa, no meio da dura batalha ideológica, constituia o mais poderoso desmentido da imagem que inimigos e adversários pretenderam sempre dar do Partido, fosse o do jamais verificado «declínio irreversível», fosse o do sempre negado «fechamento às novas realidades» humanas e culturais.

Chão nosso

De 76 a 90 a Festa conheceu ainda mais três locais. Mas, mais importante talvez que as dificuldades deste imposto nomadismo, era a incerteza de ano para ano que impedia planificar e construir a prazo. Durante 15 anos fizemos e refizemos tudo todos os anos. Enterrámos e desenterrámos, erguemos e demolimos, dresfraldámos e arriámos, pintámos efémero e impediram-nos a economia e a planificação.

A complexidade da situação em Loures em 88 e 89 reforçou um estado de espírito que de há muito se fazia sentir na organização do Partido: é preciso um terreno para a Festa, é preciso acabar com a constante incerteza, com o constante fazer e refazer, montar e desmontar.

A compra da Quinta da Atalaia constitui como que a definitiva institucionalização da Festa na sociedade portuguesa. A partir de então, já nada pode impedir os comunistas portugueses de erguerem a sua Festa, de a oferecerem aos trabalhadores, à juventude, de para ela convidarem os seus amigos e camaradas.

Esta afirmação de força e determinação não aconteceu num momento qualquer. Em 1989 o Mundo contemporâneo registava a sua mais dramática viragem deste século, o campo socialista desmoronava-se, a União Soviética caminhava para o desaparecimento, partidos comunistas de todo o mundo manifestavam-se incapazes de ultrapassar contradições internas e dificuldades de todo o tipo. O PCP não deixava de reflectir a agudeza do momento da luta política e de classes, o debate ideológico e a defesa da unidade do Partido estavam na ordem do dia.

A compra da Quinta da Atalaia para a Festa, em si própria e pelo que significou de apoio, a rapidez com que se concretizou a recolha dos 150 mil contos do seu custo, constituiu uma poderosíssima manifestação de força do PCP e uma profunda afirmação de confiança dos comunistas portugueses no seu Partido e na sua luta.

Festa do povo e da cultura, da juventude e dos trabalhadores, a Festa do Avante!, vinte anos depois, é, sobretudo, a firme afirmação de que, para nós, comunistas, o futuro continua a ser possível e mantem-se como uma exigência.

Fizemos as primeiras vinte, mas, tal como a luta - a nossa Festa continua!

quarta-feira, 1 de setembro de 1976

A 1ª Festa - 1976



A 1ª Festa - 1976


In «Avante!» de 30-09-76

Texto de Ruben de Carvalho

«A Festa do "Avante!" era - quantas vezes o dissemos! - um sonho antigo, um sonho acalentado durante a vida clandestina do nosso Partido e do nosso jornal, um objectivo que floresceu em Abril de 1974.

Porquê fazer uma festa do nosso "Avante!"?

Também conforme o dissemos quando a anunciámos nestas páginas, para fazermos uma Festa onde a nossa concepção do mundo, a nossa concepção da vida fosse exposta, fosse vivida!

Uma Festa como efectivamente Portugal jamais vira, não apenas porque a actividade do Partido Comunista fora forçada à clandestinidade, mas também porque a repressão que forçou o nosso Partido à luta clandestina atingia afinal não apenas os comunistas mas todos os portugueses, a sua liberdade, a sua felicidade - a sua vida em suma.

A Festa do "Avante!", sendo uma Festa organizada pelos comunistas teria de ser uma grande Festa da vida, dessa vida que o fascismo reprimiu e tentou destruir, uma festa popular onde, finalmente liberto, o povo pudesse construir e conhecer a realidade de ser livre.

Esta grande festa da liberdade e do homem que organizamos na FIL correspondeu inteiramente ao que dela esperávamos.

O grande orgulho que nós, comunistas, sentimos por termos erguido uma festa por que passaram centenas de milhares de pessoas é, antes de tudo o mais, o da consciência de termos correspondido ao que de nós se exige, ao termos proporcionado a essas centenas de milhares de pessoas, das quais muitas não eram comunistas, a Festa que procuravam, a Festa da liberdade que conquistaram e vivem (...)»



A 1ª Festa - 1976
In Avante! de 30-09-76



«Os meninos estavam lá. Os que nada compreendiam, embalados nos braços da juventude. Os que se sentem já donos do amanhã e trazem com orgulho os lenços e boinas vermelhas dos pioneiros.(...)

«A Festa do «Avante!» foi também sua. Pelas estruturas criadas, pelos jogos à sua disposição, pelos espectáculos particularmente dedicados. Os meninos imperaram na creche, na zona dos pioneiros (...) Mas estiveram também em toda a feira.(...)

«A presença das criança a preocupação evidente e directa por elas não foi nem nunca será em vão».





A 1ª Festa - 1976
In Avante! de 24-06-76

A FESTA DO «AVANTE!» VAI SER (foi) ASSIM !

História do PCP e do «Avante!»

A história de mais de meio século de luta dos comunistas portugueses, o combate clandestino contra o fascismo, o nosso Partido depois do 25 de Abril - tudo isso será contado numa grande exposição. Também o «Avante!», voz da classe operária e dos trabalhadores terá uma exposição onde a vida heróica dos seus obreiros clandestinos será narrada, onde se revelarão as grandes vitórias do nosso jornal depois do 25 de Abril - e ainda debates sobre o papel do «Avante!», a troca de impressões com os leitores, as críticas, as sugestões com a Redacção do «Avante!».


A organização do Partido
Toda a organização do Partido participará na Festa! Stands de células de empresas, de núcleos profissionais, de organizações regionais. Em cada um deles, a imaginação dos militantes, a exposição da actividade dos comunistas em todo o país, os balcões de especialidades regionais, os divertimentos, as bancas de venda, o convívio e a confraternização dos milhares e milhares de homens, mulheres e jovens que se batem por um Portugal livre, democrático, no caminho do socialismo!


Cidade Internacional
Pavilhões dos países socialistas, de jornais de Partidos irmãos, pavilhões dos novos países africanos com exposições sobre as conquistas dos povos que avançam decididamente na construção do socialismo, sobre a luta das forças progressistas de todo o mundo - e também bancas onde poderão ser compradas recordações e produtos de todo o mundo!


Festival Internacional da Canção Política

Cantores, conjuntos e grupos corais de todo o mundo participarão no maior espectáculo realizado em Portugal dedicado à canção de combate, à canção ao serviço da liberdade dos povos.


Festival de Teatro e Festival de Cinema
Durante os três dias de festa serão exibidos filmes de todo o mundo. Quatro palcos irão funcionar em simultâneo: um deles aberto sobre uma assistência que poderá ser superior a 40.000 pessoas! Para além de vários espectáculos de teatro, os visitantes poderão ainda assistir a outras exibições com conjuntos musicais, bandas, declamaão, variedades. etc., etc.


Colóquios e Conferências

Escritores, artistas, jornalistas, etc. participarão em debates e colóquios com o público, destacando-se os que se realizarão no Pavilhão do Comité Central, onde dirigentes do PCP se encontrarão com todos os que com eles queiram debater os problemas do país e do mundo. Uma exposição de pintura e escultura será ainda outra contribuição dos intelectuais comunistas e progressistas à Festa do «Avante!»


Cidade do Livro e do Disco
Uma grandiosas venda de livros e discos de todo o mundo a preços únicos! Todos os temas da história. da política, da sociologia, da arte, a música de combate, a música clássica! Não foram esquecidos os autocolantes: teremos uma Grande Feira do Autocolante para trocas, vendas, compras, consultas! E ainda cartazes, reproduções, fotografias, etc. etc.


Para as crianças

As crianças não foram esquecidas (e os pais também não... Durante todo o dia funcionará um infantário no recinto da Festa!). Para os mais pequenos haverá o Centro dos Pioneiros - onde estão previstas várias actividades - e ainda espectáculos de circo, de cinema, «robertos» e variedades que lhes são especialmente dedicados!


«Comes e Bebes»
Um pouco por toda a feira haverá «barraquinhas» com especialidades regionais e os petiscos mais variados! Nos «stands» das organizações do Partido de Norte a Sul haverá o balcão especial, do presunto de Chaves aos doces de amêndoa do Algarve (passando pelos vários «verdes» e «maduros»!). Mas, para além disso, haverá ainda um restaurante propriamente dito com capacidade para atender simultaneamente um milhar de pessoas!