quinta-feira, 2 de abril de 2009

6 de Outubro de 1951 [Sobre a obra de Darwin](1)



Devolvida carta com indicação de não poder seguir nada do que nela dizia acerca da obra de Darwin (e seria «ciência comunista»!)

«Tenho estado a fazer uma revisão geral das duas grandes obras de Darwin a fim de ordenar em apontamentos algumas ideias fundamentais. Não só me foi muitíssimo útil esta leitura – dum modo geral pelo que aprendi e, em particular, por me permitir um mais completo esclarecimento de um problema em estudo para o ensaio sobre a questão agrária que estou preparando – como me deu profundo prazer. Se é certo que na Descendência do Homem, várias centenas de páginas sobre os «caracteres sexuais secundários» em todas as classes do reino animal se tornam por vezes (só por vezes) um tanto pesadas, há tanto nesta obra como principalmente na Origem algumas conquistas definitivas da ciência e tudo o resto (mesmo quando não é acertado) é extremamente educativo e chega a ser entusiasmante. Contudo, quando se lêem alguns livros escritos e publicados no século XX e quando se ouvem certos conferencistas e outros discursadores, dir-se-ia que Darwin nunca existiu, que nunca foi escrita a Origem das Espécies e que o grande passo dado pela biologia no século XIX continua por dar em grande parte do mundo.

Há muito se faz uma verdadeira campanha de silêncio sobre a obra de Darwin. Nos laboratórios e no domínio da técnica aproveita-se os seus resultados práticos. Mas em público nega-se as suas ideias teóricas. Não me recordo de ter ouvido o seu nome nos bancos das escolas, nem me consta que haja referência à selecção natural e à evolução das espécies nos livros de «ciências naturais» para estudos secundários. Compreende-se uma tal campanha de silêncio. O evolucionismo nas ciências biológicas (assim como na geologia), além de tudo quanto afirma e implica acerca da origem do homem e do mundo, traz consigo (embora contra a intenção de Darwin) a ideia particularmente indesejável de que também as sociedades humanas evoluem, também nas sociedades humanas nada há de permanente e eterno. Lyell, que descobriu a evolução geológica, duvidou longos anos da evolução das espécies. Darwin, que descobriu a forma da evolução das espécies, nunca compreendeu a evolução do homem e das sociedades humanas. E, contudo, estas conquistas, no domínio da geologia, da biologia e da sociologia, não são de forma alguma divergentes. Mas Lyell só cerca dos 70 anos e contra os seus próprios sentimentos e crenças se rendeu à evidência dos factos e aceitou o transformismo. E Darwin não pôde sair de um grande número de limitações que lhe tolhiam a investigação acerca do homem, não na sua estrutura física (em que foi mestre), mas na sua vida social e na sua actividade intelectual. Respondendo a um autor que lhe oferecera uma obra fundamental de economia política, Darwin escrevia ser apenas um naturalista e nada perceber dessas questões… (2)

A resposta não foi sincera, pois Darwin bebera em Malthus a sua Struggle for life e a sua «selecção natural». Mas essa resposta explica a sua impossibilidade de ver além do acanhado horizonte do seu extracto. Daí ter considerado a evolução do homem no ponto de vista exclusivamente biológico como se nela não interviesse fundamentalmente a vida social. Daí ter considerado as super-estruturas ideológicas como de natureza puramente animal (e não de origem social) e ter não só aproximado (como seria legítimo), mas identificado as emoções e os sentimentos humanos como os das outras espécies animais. Daí ter aceitado a existência de conceitos universais e imperecíveis como do belo, do justo e do bom. Daí a sua aproximação de certas raças humanas com os animais inferiores não compreendendo as razões do seu atraso e as possibilidades actuais de o superar. Daí a sua incapacidade para compreender que as transformações quantitativas se convertem em qualitativas e a consequente evolução por saltos bruscos, tanto no campo biológico como no social. Daí o seu desprezo pelos «selvagens», o seu racismo, o seu antifeminismo, o seu espírito marcadamente britânico e whig.

Só ideólogos de um novo e ascendente extracto poderiam e puderam romper essas limitações, vencer essas dificuldades e resolver o problema da evolução do homem como evolução distinta (a partir do momento em que criou e empregou instrumentos de trabalho) da evolução das outras espécies vivas. Darwin não pode alcançar que, desde esse momento, o homem, com um propósito consciente, passou a agir sobre a natureza e a transformá-la. Apesar porém dessas limitações, os resultados fundamentais obtidos por Darwin não só afastaram de vez a teologia e o finalismo do campo das ciências biológicas, como se mantêm de pé nos dias de hoje.

Antes de Darwin estudava-se a biologia com a ideia formada da imutabilidade das espécies e o próprio Darwin, ao declarar a 1.ª vez o seu convencimento da evolução, dizia parecer-lhe «estar a confessar um assassínio».

Depois de Darwin só é possível o estudo da biologia iluminado pela ideia da evolução; só é possível o estudo da pré-história iluminado pela ideia de que o homem provém de uma espécie inferior desaparecida; e no domínio dos outros ramos da ciência (geologia, embriologia, etc.) não pode haver um estudo científico se se ignorar Darwin.

Negando-se Darwin, a ciência volta à sua fase teológica e medieval.»
_______________________________________________
(1) Estas considerações sobre a obra de Darwin que Álvaro Cunhal transcreve de uma sua carta à familia (Obras Escolhidas, II Tomo, Edições Avante!, p. 135-137), que não chegaria ao seu destino, serão desenvolvidas na carta de protesto de 6 de Outubro de 1951, que a seguir publicamos na integra (Obras Escolhidas, II Tomo, Edições Avante!, p.139-142).

(2) Trata-se da carta datada de 1 de Outubro de 1873 em que Darwin agradece a Karl Marx a oferta que este lhe fizera de um exemplar de O Capital.



6 de Outubro de 1951



Ex.mo Senhor Director da Cadeia Penitenciária de Lisboa

Álvaro Cunhal, preso nesta Penitenciária, vem, perante V.Ex.cia expor o seguinte:

1 – Foi-me hoje devolvida uma carta, que tinha escrito à minha família(1), com a indicação de não poder seguir, por conter «ciência comunista». Dada a minha surpresa e o meu pedido para me serem indicadas as passagens da carta que motivaram essa opinião e a decisão correspondente, fui esclarecido que se tratava de tudo quanto nela dizia acerca da obra de Darwin. Embora eu soubesse o que tinha escrito e, como sempre, me tivesse esforçado (dada a minha situação) para não dizer tudo quanto penso, fui ler e reler a carta censurada. E se, ao ser-me comunicada a decisão acima referida, senti apenas surpresa, depois de nova leitura do que tinha escrito fiquei verdadeiramente perplexo.

2 – Se eu tivesse abordado, em volta das teorias darwinistas e à base do marxismo-leninismo, alguns dos problemas cruciantes da sociologia contemporânea; se, em confronto com Darwin, tivesse abordado as formas de selecção na sociedade dividida em classes e aproximado a selecção natural da luta de classes; ou se, contra Darwin, tivesse mostrado como a exploração económica e a opressão política levam muitas vezes à «selecção dos piores»; ou se tivesse abordado o problema da revolução proletária, do socialismo, do desaparecimento das classes e da evolução subsequente da espécie humana; ou se tivesse mostrado como a struggle for life darwinista não era mais que a concorrência e a luta na sociedade burguesa transplantada para os reinos animal e vegetal e uma verdadeira declaração de guerra da burguesia ao proletariado; se tivesse estudado à luz dessas noções a sociedade portuguesa contemporânea e alguns aspectos da política seguida actualmente em Portugal – então bem justificado seria que V.Ex.cia considerasse existir na minha carta uma exposição de ideologia comunista. E, dado o regime de falta de liberdade existente em Portugal, seria para mim compreensível que, nesse caso, exercesse a sua censura. Mas, quando tem havido e continua a haver da minha parte o cuidado de não só afastar dos meus estudos problemas como os apontados, como de não abordar na correspondência questões que possam ser levadas à conta de «políticas», sinceramente digo não ter compreendido a decisão.

3 – A mim mesmo pergunto: terá sido considerado «ciência comunista» a aceitação da evolução das espécies e da origem animal do homem? Ou afirmar haver na obra de Darwin algumas conquistas definitivas da ciência? Será menos exacto (aqui não se trata sequer duma orientação) referir a campanha de silêncio sobre a obra de Darwin e atribuir a causa desse silêncio ao que tal obra afirma ou implica acerca da origem do homem e do mundo e do carácter transitório das sociedades humanas? Será «ciência comunista» afirmar que, no estudo das ciências biológicas antes de Darwin, estavam presentes a teologia e a teleologia e que a negação de Darwin conduz de novo à intervenção duma e de outra? Será «ciência comunista» afirmar as limitações de Darwin no estudo do homem e das sociedades humanas? E que na evolução do homem intervêm factores sociais? E que os sentimentos humanos, os pensamentos humanos, as noções de beleza, de bondade, de justiça, não são comuns (ainda que em grau diferente) a moluscos, insectos, peixes, aves e mamíferos (incluindo o homem), mas especificamente humanos, diferenciados de povo para povo e mesmo dentro de um mesmo povo através da história? E que no mundo animal e vegetal e na transformação das espécies, assim como na história das sociedades humanas, não se verifica o preceito de Leibniz (natura non fecit saltus(2)) mas há que dar uma grande atenção aos «saltos bruscos» (as «mutações» ou as invasões bárbaras, por exemplo)? Será menos verdadeiro dizer que Darwin manifestou desprezo («cientificamente» fundamentado e explicado em numerosas passagens) pelos «selvagens», pelas outras raças, pelas mulheres? Confesso, Sr Director, que não enxergo aqui (e está aqui condensada toda a passagem censurada da minha carta) qualquer ideia que não seja ou não possa ser aceite por qualquer homem com um mínimo de instrução e que preze a verdade, embora nada tendo de comunista, nem no pensar nem no agir.

4 – Se o que feriu a sensibilidade de V. Ex.cia e determinou a sua decisão foram as alusões, mais que genéricas, à incompatibilidade das ideias darwinistas e da investigação científica com as crenças católicas acerca da origem do mundo e do homem, julgo ser legítimo (sem que isso tenha alguma coisa a ver com política) que qualquer pessoa se prenuncie por umas ou por outras. Aliás na minha carta referi-me à teologia e à teleologia em geral, não abordando nenhuma das mil e uma questões referentes ao catolicismo e à ciência que poderia eventualmente ter abordado. Não sei se V. Ex.cia já leu a Bíblia. Eu li mais que uma vez e com a atenção devida. Não sei também se V. Ex.cia já conversou a este respeito com cientistas católicos que tenham lido a Bíblia e conheçam a obra de Darwin (não daqueles que defendem a primeira e criticam a segunda, sem jamais terem folheado nem uma nem outra). Eu já conversei e alguma coisa aprendi com eles. Não tenha V. Ex.cia a mínima dúvida de que qualquer antropologista católico se debruça com mais atenção sobre os restos de Neandertal ou de Cro-Magnon do que sobre o número de gerações contadas desde Adão pelos velhos escritores hebraicos; de que qualquer geólogo católico atende mais aos Princípios de Lyell(3) do que à Génese(4); de que qualquer zoólogo ou botânico católico não ignora nem pretende ignorar Darwin. Ninguém mais do que eu respeita as crenças alheias, como infelizmente não respeitam as minhas. E se um homem culto, ou mesmo apenas instruído, me disser (não por conveniências de qualquer natureza, mas com íntima sinceridade) acreditar nas origens da terra e do homem tal como Velho Testamento as descreve, se me disser que a sua inteligência aceita melhor a Génese do que a Origem das Espécies ou os resultados de Laplace, de Newton, de Lyell, isso não faz mais do que comprovar a minha velha convicção do grande poder que sobre as almas e as inteligências têm as crenças religiosas. Não penso entretanto que exista no mundo um único homem de ciência (seja qual for a sua crença) que se sujeite ao ridículo de defender a imutabilidade das espécies. Nem algum historiador que, no século XX, se sujeite à aventura de estudar a pré-história como o fez o frei Bernardo de Brito. Mas, Sr. Director, qualquer que seja a opinião que se possa ter sobre este assunto, que tem isto a ver com «política»? e com «comunismo»? Que tem isto a ver com ideias que um preso não pode manifestar?

5 – Neste momento sou um preso escrevendo ao Director da Cadeia onde me encontro. Sei o que esta situação implica. Mas se me fosse lícito esperar que V. Ex.cia pudesse meditar, apenas com a sua inteligência e o seu espírito crítico, sobre o que nesta carta digo, não tenho dúvidas de que acordaria em que não refiro factos controversos e em que algumas das minhas ideias censuradas não excedem conhecimentos elementares ou meras indicações de senso comum.

6 – Ainda sobre um aspecto me permito solicitar a atenção de V. Ex.cia. Estou isolado há mais de dois anos e meio, dos quais 14 meses em prática incomunicabilidade. Entre várias outras restrições invulgares, não me é dado conversar um pouco com quem quer que seja, além da hora de visita semanal. V.Ex.cia, como Director duma Penitenciária, conhece perfeitamente os efeitos normais do isolamento prolongado na saúde dos reclusos e, nesta mesma Penitenciária, há afixados nas paredes gráficos bem elucidativos a esse respeito (mortalidade nos regimes «auburniano» e «pensilvaniano»(5). Creio que as razões fundamentais por que tenho conseguido manter, em tão prolongado isolamento, um estado de saúde razoável (além da tranquilidade de consciência, do tratamento médico(6) e da dieta fornecida por esta Penitenciária) são o meu amor pelo estudo, o facto de absorver no estudo total e permanentemente a minha atenção e a grande alegria que me dá ver uns instantes aqueles que me são queridos e conversar com eles por correspondência um pouco mais. Se, desde que estou preso, me é imposto não manifestar quanto penso, não me pode ser exigido (nem certamente foi essa alguma vez a ideia de V.Ex.cia) manifestar o que não penso, e muito menos pensar com o pensar dos outros. Dada a minha incompreensão dos reais motivos da censura da minha referida carta, não sei se houve mudança de critério e se há o propósito de me cortar esta bem magra possibilidade de trocar algumas impressões com semelhantes meus.

A censura desta minha carta sucede-se com poucos dias ao indeferimento duma solicitação minha para utilizar uma máquina portátil de escrever(7), indeferimento esse que também não compreendi, dado que estou permanentemente fechado na cela, dado que se trataria de usar papel numerado e rubricado e dado que nesta Penitenciária já tive ocasião de ouvir escrever à máquina dentro de outras celas, certamente portanto por outros presos. O futuro me esclarecerá do significado destes incidentes na minha vida de prisioneiro.

(1) - Que acima publicamos na íntegra (Obras Escolhidas, II TOMO, Edições Avante!, p. 135-137).
(2) - Em Latim no Original: A Natureza não dá saltos.
(3) - Referência aos Princípios de Geologia (1833) de Charles Lyell.
(4) - Referência ao primeiro livro do Velho Testamento.
(5) - Sistemas prisionais cuja principal diferença residia no facto de que, no sistema auburniano, os presos apenas estavam separados durante o período nocturno, tendo a possibilidade de trabalhar juntos durante o dia.
(6) - Quanto ao tratamento médico a situação iria mudar. Ver em particular a carta de 28 de Janeiro de 1954 (Obras Escolhidas, II Tomo, Edições Avante!, p. 151-157)
(7) - Ver carta de 24 de Setembro de 1951 (Obras Escolhidas, II Romo, Edições Avante!, p. 133). Ver ainda o ponto 1 da carta de 6 de Novembro de 1953 (Obras Escolhidas, II Tomo, Edições Avante!, p. 149). e o ponto 4 da carta de 9 de Novembro de 1954 (Obras Escolhidas, II Tomo, Edições Avante!, p. 159-164).



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Debates da Ciênci@vante! 2008


Sexta feira (21,00H)

- Saúde e sentidos – as políticas necessárias

Sábado (16,30H)

- Ciência e Tecnologia ao serviço dos sentidos

Sábado (21,00H)

- Sinistralidade Laboral – um outro olhar é preciso

Domingo (15,00H)

- O Universo com sentidos



domingo, 20 de julho de 2008

Espaço da Ciência e Tecnologias aborda os cinco sentidos

«Sentir a vida, transformar o mundo»

Com o lema «Sentir a vida, transformar o mundo», o Espaço da Ciência e Tecnologias vai, este ano, acolher uma exposição sobre os cinco sentidos (visão, audição, olfacto, paladar e tacto). Em entrevista ao Avante!Augusto Flor, Sílvia Silva, Joana Dinis, Anabela Silva, Alice Figueira, Aurora e Patrícia Barbado desvendaram os «segredos» do espaço, um dos mais interactivos e procurados, durante os três dias, pelos visitantes da Festa.

«Através dos cinco sentidos temos a capacidade e a percepção da vida e do mundo que nos rodeia. No entanto, não basta percepcionar e compreender, temos, de igual forma, que transformar o que está mal no mundo», afirmou Augusto Flor, referindo que o tema foi escolhido tendo em conta, como não poderia deixar de ser, «os aspectos de ordem e de oportunidade política».

Sobre a exposição, sublinhou que a estrutura do espaço parte do ponto de vista da ciência e da tecnologia. «Vamos demonstrar o composição, a organização, a estrutura, a sistematização de cada um dos sentidos, a influência que eles têm na nossa vida, em todos os nossos comportamentos e atitudes, e também o que acontece na ausência deles», acentuou, dando o exemplo da deficiência, congénita ou provocada, «por sinistralidade no trabalho, rodoviária ou por uma qualquer causa».

Naquele espaço, que, assim como na edição anterior, fica junto ao lago, vai ser possível ver e analisar «sentido a sentido». «Não é apenas ciência pela ciência ou tecnologia pela tecnologia, é isto visto num todo, de uma forma integrada, que tenha a ver com a vida», disse Augusto Flor.
A primeira parte da exposição vai focar os sentidos e o cérebro. «Percepcionamos através dos sentidos, mas depois queremos assimilá-los para o cérebro», explicou Sílvia Silva, acrescentando: «Temos cinco áreas que dizem respeito a cada um dos sentidos, que iremos abordar, numa perspectiva científica, como é que é constituído o órgão sensorial, como é que funciona, como é que se faz a ponte entre os sentidos e o cérebro, o que acontece na limitação ou na ausência de um destes sentidos».

O visitante poderá ainda perceber como funcionam os sentidos nos outros animais. «Queremos que seja dada uma perspectiva bastante geral do tema, fazendo a ponte entre as áreas áreas: a fisiologia, a fisionomia, a química, a física», disse ainda Sílvia Silva.

Reagir a sensações

Existem ainda outros sentidos, considerados auxiliares, que também terão destaque na exposição. «Vamos tentar explicar como é que o nosso organismo reage a outras sensações e como é que os outros sentidos se relacionam com os principais», frisou Joana Dinis, dando o exemplo das reacções às variações de temperatura, à dor, à fome, à sede e ao equilíbrio.
Na exposição, em colaboração com o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico, vão também se realizar experiências, nomeadamente com o som e a luz. «Explorar como é que eles (os sentidos) funcionam, dando exemplos práticos. Perceber coisas que aparentam ser obvias e que, normalmente, não ligamos muito a elas», destacou.
Com a colaboração do professor Máximo Ferreira, o visitante da Festa do Avante! tem ainda a possibilidade de observar o céu e os astros.

Avanços tecnológicos

Numa perspectiva cientifica e tecnológica dos cinco sentidos, vão ainda ser abordados os avanços tecnológicos e a forma como estes poderão contribuir para a melhoria da qualidade de vida do ser humano, nomeadamente o olho e o ouvido biónico. «Esta tecnologia tem a convergência de várias ciências como a biologia, a física, a informática e a economia», comentou Anabela Silva.
Na exposição haverá, de igual forma, referência sobre às curiosidades de cada sentido. No caso dos invisuais, por exemplo, «como é que eles utilizam o tacto para a leitura». «Os pontos do sistema braille têm uma distância que é para os receptores não se confundirem», informou.
Os sentidos dos animais também vão estar presentes nesta mostra. «O chamado “terceiro olho” dos répteis, no centro da cabeça, funciona como um relógio biológico que controla a reprodução e a hibernação», revelou Anabela Silva.
Ali, os mais pequenos encontrarão ainda um espaço, relacionado com o tema, com jogos e ateliers.

A ciência e as artes

Porque a arte está, directamente, relacionada com a ciência e a tecnologia, no auditório do espaço vão passar vários filmes onde se exploram os sentidos. «Janela da Alma», «Luzes da Ribalta», «O Céu de Lisboa», «Filhos do Silêncio», «A Música e o Silêncio», «Perfume de Mulher», «Como Água para o Chocolate», «O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante», «Tampopo – Os Brutos Também Comem Esparguete», «Os Cinco Sentidos», «Chocolate» e «Um Toque de Canela», são algumas das películas a exibir.

Alice Vieira salientou ainda que vão estar expostas várias obras literárias, nomeadamente de José Saramago (Ensaio sobre a Cegueira), de Alberto Caeiro (Guardados de Rebanhos) e de Virgílio Ferreira (A Esplanada sobre o Mar). «E os olhos que vêem o cinema; os ouvidos que escutam a música; os dedos que sentem as formas; o gosto das palavras; o cheiro dos lírios do campo, estão presentes nas nossas memórias e nas nossas emoções perante o mundo que se vê, se sente, se ouve... e lá está a ciência a estudar o olho, a língua, o ouvido.. e como tudo se equilibra, mesmo quando falha algum...», proseou.

Por todo o espaço, ainda numa componente artística, estará patente um conjunto de esculturas, feitas com rede e ligadura de gesso, de autoria de Aurora Bargado. «O olfacto, a visão e a audição são em tamanhos grandes (80 centímetros). Para o tacto fiz mãos, com várias posições. Vai ainda ser executada uma cabeça, grande, para retratar o cérebro», revelou. O objectivo, adiantou, «é que estas peças tenham impacto quando as pessoas visitarem a exposição».

Mais e melhor

O espaço da exposição vai sofrer alterações. Com o objectivo de minimizar os vários problemas, ao grupo de trabalho juntou-se Patrícia Bargado. Segundo nos explicou, este ano, será resolvida, pelo menos espera-se, «a questão do barulho, da iluminação e da organização do espaço». «Na saída, por exemplo, a porta é mais pequena, para que as pessoas não tenham a tendência de entrar», apontou.

Ciência com componente política

No decorrer da entrevista, Augusto Flor destacou a «forte» componente política no Espaço da Ciência e Tecnologias, «de conhecimento mas também de construção da opinião política e das posições do Partido».

Nesse sentido, será abordada, inevitavelmente, a área da saúde, «desde as listas de espera até às questões das especialidades». «No fundo, tudo aquilo que tem a ver com os cinco sentidos e as respostas que a sociedade, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, oferece ao cidadão», afirmou.

Numa outra área, do ponto de vista político, falar-se-à de deficiência. «No caso dos sinistralizados no trabalho, vamos ver como funciona a tabela de incapacidades das seguradoras. Iremos ainda apresentar um exemplo de como a luta de uma família permitiu que o Estado cedesse a aquisição de um equipamento tecnológico, altamente sofisticado, que permitiu a uma jovem surda-muda passasse a ouvir», revelou Augusto Flor.

Por fim, na exposição, a economia estará em destaque. «É através da economia e dos seus indicadores que nos apercebemos da importância da tecnologia ao serviço do ser humano. Hoje, existem tecnologias que, por razões de ordem económica e de classe não estão acessíveis a toda a gente», criticou.

Para o debate político, Augusto Flor valorizou a cooperação de algumas instituições ligadas à deficiência, ao trabalho, ao emprego, «não só na sua presença como na sua participação». «Teremos, certamente, três debates, um sobre “a ciência e a tecnologia ao serviço do ser humano” outro sobre “as questões da deficiência” e um outro sobre “a saúde”», revelou.

Para além de um momento de poesia, acontecerá uma conferência, a cargo do professor e astrónomo Máximo Ferreira, sobre os cinco sentidos. «Como é que nós, seres humanos, através dos nossos sentidos, nos apercebemos, percepcionamos toda a complexidade que a astronomia nos pode transmitir e também o inverso. E também como ela se reflecte através dos nossos sentidos», sublinhou.

No final da exposição, com os olhos postos no futuro, sendo este um instrumento de trabalho, será editado um CD com o teor da exposição.

Publicado no Jornal "O Avante!" (Artigo publicado na Edição Nº1807)
http://www.avante.pt/noticia.asp?id=25363&area=19&edicao=1807


sábado, 19 de julho de 2008

Os 5 Sentidos (Ciênci@vante! 2008)


“Ensinar a olhar os problemas que a humanidade enfrenta através dos olhos da ciência poderá certamente trazer um importante contributo para a democracia, para a qualidade de vida dos cidadãos, para o bem-estar de toda a sociedade” (Granado e Malheiros, jornalistas)


Sentir a vida, transformar o mundo!

A exposição de ciência da Festa do Avante! tem abordado temas tão relevantes como a astronomia, a física, a robótica, os materiais e as sua propriedades, a água, a energia, a fome, os recursos geológicos e até os transportes terrestres.

A escolha dos temas, embora muitos outros ainda estejam por abordar, vai ao encontro da urgência de assum
irmos estas questões reais, prioritárias e cada vez mais graves para as actuais e futuras gerações, numa perspectiva científica, tecnológica mas também política.

Num processo dialéctico de permanente questionamento, este ano propomos-nos apresentar uma exposição que tem por base os 5 sentidos.

“Como comunicar sem um ou mais sentidos? Será a nossa visão igual à dos outros animais? Podemos saber a idade de uma estrela apenas olhando para ela? Qual a relação entre o nosso equilíbrio e a nossa audição? Porque sentimos frio e calor?”

Estas são algumas das questões que serão abordadas este ano no espaço Ciênci@vante!, propondo aos visitantes uma incursão pelos cinco sentidos humanos e embarcando numa viagem pela transformação do nosso mundo. As nossas acções e interpretações sobre o meio que nos rodeia estão amplamente ligadas à nossa capacidade de percepcionar a informação que nos chega a cada momento. Cada sentido é uma ponte entre o homem e a sociedade, e cabe a cada um de nós, como membros dessa sociedade, entender, construir e sustentar estas pontes.

Este é o fio condutor de uma exposição que pretende explicar cientificamente como funcionam os nossos sentidos, o que acontece na ausência ou deficiência desses sentidos, porque é que são tão importantes no nosso dia-a-dia, quais as repercussões na forma de comunicar e quais as principais diferenças com os sentidos de outros animais, como é que os avanços tecnológicos podem contribuir para a replicação dos sentidos e os benefícios da sua aplicação na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, entre muitas outras curiosidades.

Os 5 sentidos são ponto de partida para outras abordagens indissociáveis dos actuais problemas no sector da saúde, da empregabilidade e segurança no trabalho, das acessibilidades e transportes, da educação, da comunicação, da economia entre outros, pelo que também estas áreas serão abordadas ao longo da exposição.

O espaço Ciênci@vante! vai contar, como tem sido habitual, com módulos de Astronomia e Física, com a colaboração, respectivamente, do Astrónomo Máximo Ferreira e do Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico. Nesta área interactiva estarão disponíveis de uma forma lúdica, rigorosa e ao mesmo tempo apelativa, experiências e observações que irão pôr em prática alguns dos assuntos levantados pela exposição.

Os debates, as palestras, a arte da escultura, a literatura e o espaço criança irão dar um especial contributo para reavivar todos os sentidos, e ajudar a consolidar algumas das pontes que poderão transformar o nosso mundo.

Mais uma razão para nos encontrarmos na Festa do Avante!

Não há Festa como esta!


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

SPUTNIK 1


Agora que passaram 50 anos - comemorou-se o lançamento do Sputnik 1 no espaço em 4 de Outubro de 1957 -, ainda dá para pensar aquela do Professor Varela Cid, professor, creio que de Aerodinâmica do Instituto Superior Técnico - e não, como há quem o diga, Professor de Astronáutica, que a náutica entre astros ainda estava para começar - que veio, ele, Varela Cid, para os órgãos de comunicação social, dizer que era impossível colocar um satélite no espaço, que se tratava de propaganda «russa»…

Por essa altura, andava eu pelo terceiro ano «dos liceus», hoje sétimo ano do «básico», como aluno interno no Colégio Militar e não teria sido fácil ouvir tal atoarda em directo. No entanto, transcrevo a seguir um testemunho de Álvaro Belo Marques que, com toda a facilidade, encontrei na Web(1):
«(…) Uma vez, estava eu a estudar, com o Rádio Clube Português em fundo, eram quase onze da noite, quando oiço o professor de Aerodinâmica no IST, doutor Varela Cid, dizer que o Sputnik era uma invenção propagandística dos russos e que era impossível lançar no espaço um satélite artificial. Logo em seguida, falou Henrique Galvão, pela Aeronáutica Civil, dizendo que, para pôr um satélite em órbita, bastava ter tecnologia e cérebros. Dá as onze e o RCP anuncia que o Observatório Nacional acabava de assinalar a passagem do Sputnik e que o seu bip-bip se poderia ouvir na frequência tal e tal, a dos crédulos. O professor, se tivesse esperado cinco minutos, não teria caído no ridículo (…)».

O bip-bip… o mesmo que ouvi no 4 de Outubro deste 2007 na RDP2 quando me dirigia para o trabalho. Uma efeméride chamada, de seu direito, à primeira página do Público - há que assinalá-lo -, com uma bela fotografia, uma efeméride que marca o início da empresa espacial por parte da espécie homo sapiens sapiens. E, por um momento, desviemo-nos do Varela Cid daquele Portugal, de que vamos sofrendo, ainda com forte intensidade, as heranças das suas ramificações, e veja-se o que, por exemplo, poderia saber o Presidente Eisenhower.

A Casa Branca, ao mesmo tempo que não se quis pronunciar sobre os aspectos militares do lançamento do Sputnik 1 - Ai, a quente Guerra Fria! -, declarou que o acontecimento não constituía uma surpresa. Com efeito, por exemplo, «o Presidente dos EUA Dwight Eisenhower dispunha de fotografias das instalações soviéticas tiradas desde 1956 a partir de voos conduzidos por [aviões] U-2 da Lockheed»(2).

E acerca do impacto provocado na sociedade dos EUA (e seguramente na generalidade das sociedades ocidentais), de acordo com John Logsdon: «Os nossos filmes e programas de televisão nos anos 50 estavam cheios com a ideia de ir para o espaço. O que surpreendeu foi o facto de ter sido a União Soviética a lançar o primeiro satélite. Não é fácil evocar o ambiente daquele tempo»(3).

Portanto, tanto para o presidente dos EUA como para a respectiva sociedade o facto de ter sido colocado um satélite no espaço exterior não constituiu nenhuma surpresa - no entanto, o ter sido considerado impossível pelo Professor português, da área talvez mais condizente, terá constituído uma surpresa. E tanto que, como surpresa «significa» informação, pavlovianamente lá saltou, de uma já então salivante área mediática, quem lhe difundisse a opinião «científica» - lá teve Varela Cid a oportunidade; infelizmente - estando lúcido - para ele.

Voltando agora à citada fotografia do Público na edição de 4 de Outubro, deve ser referido, para os que não a viram, que ela representava o planeta vermelho - Marte que recentemente reapareceu nos media a propósito da preparação, na Rússia, de uma expedição a esse planeta. Lá mostraram na televisão a instalação onde os astronautas se preparam para este empreendimento. Lá referiram, e mostraram uma fotografia sua, na televisão, Tsiolkovski, do entusiástico «pai» - como se usa actualmente dizer - da Astronáutica soviética, e por que não dizê-lo, da Astronáutica. Tsiolkovski que, na obra teórica «A exploração do espaço cósmico por motores de reacção», publicada em 1903, discute quais os combustíveis necessários para que um foguetão possa dispor da potência suficiente para se libertar da atracção terrestre e atingir outros planetas.(4) Já então!

Enfim, o Sputnik 1 era um elo fundamental de uma epopeia com pernas para andar, atravessando tempestades e marés. Marte está programado para próxima escala.

in jornal Avante! Nº 1767 de 11.Outubro.2007

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sputnik lançado há 50 anos

A União Soviética surpreendeu o mundo, em 4 de Outubro de 1957, com lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, que abriu o caminho à era espacial e a uma longa série de conquistas científicas e tecnológicas que viriam a alterar os nossos hábitos. O Sputnik, palavra russa que, para além de satélite, significa companheiro de viagem, era uma pequena esfera com 58 centímetros de diâmetro e 83 quilos, capaz de emitir um sinal de rádio captado por qualquer aparelho receptor. Durante 22 dias, enquanto as baterias do pequeno aparelho não se esgotaram, a humanidade ouviu com entusiasmo seu «bip bip» como o anúncio de uma nova época de progresso e desenvolvimento. O Sptunik, que continuaria a orbitar o planeta durante mais seis meses, foi também mais uma demonstração da superioridade tecnológica da União Soviética face ao mundo capitalista ocidental. Depois de ter recuperado o atraso no fabrico da bomba atómica, a URSS distanciava-se por muitos anos dos EUA no domínio espacial. As numerosas tentativas dos norte americanos para secundarem a experiência do Sptunik não tiveram qualquer sucesso.

in jornal Avante! Nº 1767 de 11.Outubro.2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Espaço da Ciência - Festa do Avante! 2007

Espaço da Ciência
Estradas, carris e GPS

Agora num espaço próprio junto ao lago, o Espaço da Ciência foi, este ano, dedicado aos transportes terrestres. Partilhado o espaço, era também comum o tema da Física e Astronomia. À entrada do pavilhão, era frequente ver o astrónomo Máximo Ferreira rodeado de curiosos a explicar o contributo das estrelas para os transportes.

Atrás, em painéis, explicava-se que a observação das estrelas pode guiar as pessoas nas suas deslocações. Foi isso mesmo que aprenderam a fazer os fenícios em 1100 a.C., quando utilizaram as estrelas para governar os barcos durante a noite. Foi isso mesmo que aprenderam vários outros povos antigos, que usaram o Sol e as estrelas para se orientarem e a partir daqui puderam definir os quatro pontos cardeais – norte, sul, este e oeste. Depois surgiu a bússola, por invenção chinesa. Conhecendo o norte magnético passou a ser possível seguir direcções bem precisas.

Mais recentemente, surgiu o GPS que dá as coordenadas de qualquer lugar da Terra através de um receptor. Este sistema recorre-se de 24 satélites artificiais, quatro dos quais sempre visíveis em qualquer lugar da terra. Em breve, o Galileu (versão europeia do norte-americano GPS) será instalado no espaço, com a promessa de corrigir a actual margem de erro do GPS de 20 para 7 metros.

Saindo da astronomia, entrava-se na Física. E a aprendizagem prosseguiu. Com o auxílio dos jovens do Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico era possível observar, experimentar e perceber o funcionamento de importantes máquinas e inventos. Lendo os painéis e ouvindo os jovens físicos, soubemos que a máquina a vapor é semelhante a uma chaleira com água a ferver (em escalas e com aproveitamentos diferentes, claro está) e que o armazenamento é a grande questão ao quando se fala de energia solar e que este pode ser feito com recurso (não só mas também) à água.

A roda e os traseiros de cavalo

Deixando para trás a Física e a Astronomia, entramos na exposição dedicada especificamente aos transportes terrestres, «da Roda ao TGV». Em estantes, com o aviso de «não mexer» podem observar-se pequenas reproduções de motores e automóveis, deixando claro o tremendo desenvolvimento tecnológico verificado neste sector não só nas últimas décadas, como desde a invenção da roda, em 3500 a.C.

A tecnologia avançou muito, é certo. Mas ainda hoje estamos condicionados a invenções que remontam à antiguidade. Ao inventarem os carros, os romanos fizeram-no com uma medida que permitisse acomodar dois traseiros de cavalo. Na Inglaterra da Revolução Industrial, nasceu o comboio, a partir dos carris que utilizavam carros cuja medida era… dois traseiros de cavalo.

Mas não ficamos por aqui: o vai-e-vem espacial norte-americano, o famoso Space Shuttle, utiliza dois tanques de combustível que foram projectados por engenheiros de Utah. O seu desejo era construí-los mais largos, mas existia uma limitação objectiva: a largura dos túneis ferroviários por onde iam ser transportados. Resumindo, como se lia num painel da exposição, «o exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia foi condicionado pelas dimensões do traseiro dos cavalos romanos». Sempre a aprender.

O desenvolvimento foi rápido, demonstrou-se na exposição. Se em 1880 ainda não havia automóvel, oitenta anos mais tarde, havia já 95 milhões, todos movidos por motores de combustão interna – ou seja, mais rápidos, leves e potentes do que as velhas máquinas a vapor. O primeiro automóvel a chegar a Portugal foi um Panhard-Levassor, importado pelo Conde de Avilez em 1895.

Transportes e política de transportes

Ao falarmos de ciência não podemos falar apenas de ciência. Frequentemente, colocam-se-nos algumas questões como «a quem serve o desenvolvimento tecnológico?» ou «porque razão existem ainda milhões de pessoas privadas de transporte e de infra-estruturas básicas?».

Na exposição e nos debates do Espaço da Ciência da Festa do Avante! fizeram-se estas e outras perguntas e avançaram-se sugestões de respostas. Num painel da exposição, lembrava-se as conclusões do XVII Congresso do Partido acerca do sector, destacando os desastrosos resultados das «políticas e medidas sujeitas ao objectivo de total privatização e liberalização do sector e total subordinação aos interesses do grande capital».

As consequências para a saúde pública da utilização dos combustíveis fósseis também foram afiançadas na exposição. Num dos painéis enumerava-se as matérias poluentes e explicitava-se os seus efeitos.

No auditório de debates do Espaço da Ciência, foram debatidos estes e outros temas. O professor Manuel Tão, o engenheiro Rego Mendes e José Fonseca debateram «os transportes terrestres e os avanços tecnológicos», enquanto que Ana Maria Silva e Alice Figueira debruçaram-se sobre os impactes destes avanços na poesia, num debate intitulado «Poesia sobre rodas».

«Transportes terrestres e poluição, uma questão de saúde pública» foi o tema de outra sessão, que contou com a participação dos professores Luís Vicente, Silva Santos e Anabela Silva. A política nacional de transportes e a alternativa que o PCP propõe esteve em discussão. Participaram Amável Alves, da CGTP-IN, o deputado do PCP Bruno Dias, e Eduardo Vieira, responsável pelo sector de transportes da Direcção da Organização Regional de Lisboa do Partido. O futuro dos transportes terrestres no que respeita à energia foi o tema abordado pelo engenheiro Carlos Carvalho, pelo professor Rui Namorado Rosa e pela economista Sílvia Silva.

O astrónomo Máximo Ferreira e a professora Lurdes Silva falaram sobre o «ano internacional da Heliofísica» que se comemora em 2007.

«Teatro sobre rodas» foi o tema do apontamento teatral dirigido por Célia Silva. As crianças também tinham o seu espaço, onde podiam aprender, jogar e desenhar acerca dos transportes e das regras de segurança.

texto retirado do jornal Avante!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Momentos que ficam



Renata e Miguel - Voluntários do Espaço Ciência na Festa do Avante! 2007


Momentos que ficam



Ana - Voluntária do Espaço da Ciência - Zona da Criança - Festa do Avante! 2007