sexta-feira, 5 de outubro de 2007

SPUTNIK 1


Agora que passaram 50 anos - comemorou-se o lançamento do Sputnik 1 no espaço em 4 de Outubro de 1957 -, ainda dá para pensar aquela do Professor Varela Cid, professor, creio que de Aerodinâmica do Instituto Superior Técnico - e não, como há quem o diga, Professor de Astronáutica, que a náutica entre astros ainda estava para começar - que veio, ele, Varela Cid, para os órgãos de comunicação social, dizer que era impossível colocar um satélite no espaço, que se tratava de propaganda «russa»…

Por essa altura, andava eu pelo terceiro ano «dos liceus», hoje sétimo ano do «básico», como aluno interno no Colégio Militar e não teria sido fácil ouvir tal atoarda em directo. No entanto, transcrevo a seguir um testemunho de Álvaro Belo Marques que, com toda a facilidade, encontrei na Web(1):
«(…) Uma vez, estava eu a estudar, com o Rádio Clube Português em fundo, eram quase onze da noite, quando oiço o professor de Aerodinâmica no IST, doutor Varela Cid, dizer que o Sputnik era uma invenção propagandística dos russos e que era impossível lançar no espaço um satélite artificial. Logo em seguida, falou Henrique Galvão, pela Aeronáutica Civil, dizendo que, para pôr um satélite em órbita, bastava ter tecnologia e cérebros. Dá as onze e o RCP anuncia que o Observatório Nacional acabava de assinalar a passagem do Sputnik e que o seu bip-bip se poderia ouvir na frequência tal e tal, a dos crédulos. O professor, se tivesse esperado cinco minutos, não teria caído no ridículo (…)».

O bip-bip… o mesmo que ouvi no 4 de Outubro deste 2007 na RDP2 quando me dirigia para o trabalho. Uma efeméride chamada, de seu direito, à primeira página do Público - há que assinalá-lo -, com uma bela fotografia, uma efeméride que marca o início da empresa espacial por parte da espécie homo sapiens sapiens. E, por um momento, desviemo-nos do Varela Cid daquele Portugal, de que vamos sofrendo, ainda com forte intensidade, as heranças das suas ramificações, e veja-se o que, por exemplo, poderia saber o Presidente Eisenhower.

A Casa Branca, ao mesmo tempo que não se quis pronunciar sobre os aspectos militares do lançamento do Sputnik 1 - Ai, a quente Guerra Fria! -, declarou que o acontecimento não constituía uma surpresa. Com efeito, por exemplo, «o Presidente dos EUA Dwight Eisenhower dispunha de fotografias das instalações soviéticas tiradas desde 1956 a partir de voos conduzidos por [aviões] U-2 da Lockheed»(2).

E acerca do impacto provocado na sociedade dos EUA (e seguramente na generalidade das sociedades ocidentais), de acordo com John Logsdon: «Os nossos filmes e programas de televisão nos anos 50 estavam cheios com a ideia de ir para o espaço. O que surpreendeu foi o facto de ter sido a União Soviética a lançar o primeiro satélite. Não é fácil evocar o ambiente daquele tempo»(3).

Portanto, tanto para o presidente dos EUA como para a respectiva sociedade o facto de ter sido colocado um satélite no espaço exterior não constituiu nenhuma surpresa - no entanto, o ter sido considerado impossível pelo Professor português, da área talvez mais condizente, terá constituído uma surpresa. E tanto que, como surpresa «significa» informação, pavlovianamente lá saltou, de uma já então salivante área mediática, quem lhe difundisse a opinião «científica» - lá teve Varela Cid a oportunidade; infelizmente - estando lúcido - para ele.

Voltando agora à citada fotografia do Público na edição de 4 de Outubro, deve ser referido, para os que não a viram, que ela representava o planeta vermelho - Marte que recentemente reapareceu nos media a propósito da preparação, na Rússia, de uma expedição a esse planeta. Lá mostraram na televisão a instalação onde os astronautas se preparam para este empreendimento. Lá referiram, e mostraram uma fotografia sua, na televisão, Tsiolkovski, do entusiástico «pai» - como se usa actualmente dizer - da Astronáutica soviética, e por que não dizê-lo, da Astronáutica. Tsiolkovski que, na obra teórica «A exploração do espaço cósmico por motores de reacção», publicada em 1903, discute quais os combustíveis necessários para que um foguetão possa dispor da potência suficiente para se libertar da atracção terrestre e atingir outros planetas.(4) Já então!

Enfim, o Sputnik 1 era um elo fundamental de uma epopeia com pernas para andar, atravessando tempestades e marés. Marte está programado para próxima escala.

in jornal Avante! Nº 1767 de 11.Outubro.2007

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sputnik lançado há 50 anos

A União Soviética surpreendeu o mundo, em 4 de Outubro de 1957, com lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, que abriu o caminho à era espacial e a uma longa série de conquistas científicas e tecnológicas que viriam a alterar os nossos hábitos. O Sputnik, palavra russa que, para além de satélite, significa companheiro de viagem, era uma pequena esfera com 58 centímetros de diâmetro e 83 quilos, capaz de emitir um sinal de rádio captado por qualquer aparelho receptor. Durante 22 dias, enquanto as baterias do pequeno aparelho não se esgotaram, a humanidade ouviu com entusiasmo seu «bip bip» como o anúncio de uma nova época de progresso e desenvolvimento. O Sptunik, que continuaria a orbitar o planeta durante mais seis meses, foi também mais uma demonstração da superioridade tecnológica da União Soviética face ao mundo capitalista ocidental. Depois de ter recuperado o atraso no fabrico da bomba atómica, a URSS distanciava-se por muitos anos dos EUA no domínio espacial. As numerosas tentativas dos norte americanos para secundarem a experiência do Sptunik não tiveram qualquer sucesso.

in jornal Avante! Nº 1767 de 11.Outubro.2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Espaço da Ciência - Festa do Avante! 2007

Espaço da Ciência
Estradas, carris e GPS

Agora num espaço próprio junto ao lago, o Espaço da Ciência foi, este ano, dedicado aos transportes terrestres. Partilhado o espaço, era também comum o tema da Física e Astronomia. À entrada do pavilhão, era frequente ver o astrónomo Máximo Ferreira rodeado de curiosos a explicar o contributo das estrelas para os transportes.

Atrás, em painéis, explicava-se que a observação das estrelas pode guiar as pessoas nas suas deslocações. Foi isso mesmo que aprenderam a fazer os fenícios em 1100 a.C., quando utilizaram as estrelas para governar os barcos durante a noite. Foi isso mesmo que aprenderam vários outros povos antigos, que usaram o Sol e as estrelas para se orientarem e a partir daqui puderam definir os quatro pontos cardeais – norte, sul, este e oeste. Depois surgiu a bússola, por invenção chinesa. Conhecendo o norte magnético passou a ser possível seguir direcções bem precisas.

Mais recentemente, surgiu o GPS que dá as coordenadas de qualquer lugar da Terra através de um receptor. Este sistema recorre-se de 24 satélites artificiais, quatro dos quais sempre visíveis em qualquer lugar da terra. Em breve, o Galileu (versão europeia do norte-americano GPS) será instalado no espaço, com a promessa de corrigir a actual margem de erro do GPS de 20 para 7 metros.

Saindo da astronomia, entrava-se na Física. E a aprendizagem prosseguiu. Com o auxílio dos jovens do Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico era possível observar, experimentar e perceber o funcionamento de importantes máquinas e inventos. Lendo os painéis e ouvindo os jovens físicos, soubemos que a máquina a vapor é semelhante a uma chaleira com água a ferver (em escalas e com aproveitamentos diferentes, claro está) e que o armazenamento é a grande questão ao quando se fala de energia solar e que este pode ser feito com recurso (não só mas também) à água.

A roda e os traseiros de cavalo

Deixando para trás a Física e a Astronomia, entramos na exposição dedicada especificamente aos transportes terrestres, «da Roda ao TGV». Em estantes, com o aviso de «não mexer» podem observar-se pequenas reproduções de motores e automóveis, deixando claro o tremendo desenvolvimento tecnológico verificado neste sector não só nas últimas décadas, como desde a invenção da roda, em 3500 a.C.

A tecnologia avançou muito, é certo. Mas ainda hoje estamos condicionados a invenções que remontam à antiguidade. Ao inventarem os carros, os romanos fizeram-no com uma medida que permitisse acomodar dois traseiros de cavalo. Na Inglaterra da Revolução Industrial, nasceu o comboio, a partir dos carris que utilizavam carros cuja medida era… dois traseiros de cavalo.

Mas não ficamos por aqui: o vai-e-vem espacial norte-americano, o famoso Space Shuttle, utiliza dois tanques de combustível que foram projectados por engenheiros de Utah. O seu desejo era construí-los mais largos, mas existia uma limitação objectiva: a largura dos túneis ferroviários por onde iam ser transportados. Resumindo, como se lia num painel da exposição, «o exemplo mais avançado da engenharia mundial em design e tecnologia foi condicionado pelas dimensões do traseiro dos cavalos romanos». Sempre a aprender.

O desenvolvimento foi rápido, demonstrou-se na exposição. Se em 1880 ainda não havia automóvel, oitenta anos mais tarde, havia já 95 milhões, todos movidos por motores de combustão interna – ou seja, mais rápidos, leves e potentes do que as velhas máquinas a vapor. O primeiro automóvel a chegar a Portugal foi um Panhard-Levassor, importado pelo Conde de Avilez em 1895.

Transportes e política de transportes

Ao falarmos de ciência não podemos falar apenas de ciência. Frequentemente, colocam-se-nos algumas questões como «a quem serve o desenvolvimento tecnológico?» ou «porque razão existem ainda milhões de pessoas privadas de transporte e de infra-estruturas básicas?».

Na exposição e nos debates do Espaço da Ciência da Festa do Avante! fizeram-se estas e outras perguntas e avançaram-se sugestões de respostas. Num painel da exposição, lembrava-se as conclusões do XVII Congresso do Partido acerca do sector, destacando os desastrosos resultados das «políticas e medidas sujeitas ao objectivo de total privatização e liberalização do sector e total subordinação aos interesses do grande capital».

As consequências para a saúde pública da utilização dos combustíveis fósseis também foram afiançadas na exposição. Num dos painéis enumerava-se as matérias poluentes e explicitava-se os seus efeitos.

No auditório de debates do Espaço da Ciência, foram debatidos estes e outros temas. O professor Manuel Tão, o engenheiro Rego Mendes e José Fonseca debateram «os transportes terrestres e os avanços tecnológicos», enquanto que Ana Maria Silva e Alice Figueira debruçaram-se sobre os impactes destes avanços na poesia, num debate intitulado «Poesia sobre rodas».

«Transportes terrestres e poluição, uma questão de saúde pública» foi o tema de outra sessão, que contou com a participação dos professores Luís Vicente, Silva Santos e Anabela Silva. A política nacional de transportes e a alternativa que o PCP propõe esteve em discussão. Participaram Amável Alves, da CGTP-IN, o deputado do PCP Bruno Dias, e Eduardo Vieira, responsável pelo sector de transportes da Direcção da Organização Regional de Lisboa do Partido. O futuro dos transportes terrestres no que respeita à energia foi o tema abordado pelo engenheiro Carlos Carvalho, pelo professor Rui Namorado Rosa e pela economista Sílvia Silva.

O astrónomo Máximo Ferreira e a professora Lurdes Silva falaram sobre o «ano internacional da Heliofísica» que se comemora em 2007.

«Teatro sobre rodas» foi o tema do apontamento teatral dirigido por Célia Silva. As crianças também tinham o seu espaço, onde podiam aprender, jogar e desenhar acerca dos transportes e das regras de segurança.

texto retirado do jornal Avante!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Momentos que ficam



Renata e Miguel - Voluntários do Espaço Ciência na Festa do Avante! 2007


Momentos que ficam



Ana - Voluntária do Espaço da Ciência - Zona da Criança - Festa do Avante! 2007


Momentos que ficam



Cláudia - Visitante do Espaço Ciência da Festa do Avante! 2007


domingo, 9 de setembro de 2007

Terceiro dia da Festa do Avante!



Vídeo do terceiro e último dia da Festa do Avante!

sábado, 8 de setembro de 2007

Segundo dia da Festa do Avante!



Vídeo do segundo dia da Festa do Avante!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Primeiro dia da Festa do Avante!



Vídeo do primeiro dia da Festa do Avante!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007